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9.11.07

Ideias para um melhor jornalismo

Ora aqui está uma ideia inspiradora nos tempos de "jornalismo-produto-empacotado-preguiçoso" que correm: um antigo publisher do Star Tribune (Minnesota, EUA), jornal que foi alvo de mudança de proprietário e de redução de pessoal (perdendo leitores a seguir...), resolveu abrir na Web um sítio de notícias.

O MinnPost está a recrutar jornalistas veteranos e pretende dedicar-se ao jornalismo de qualidade, coisa que, pelos vistos, começou a rarear nos principais diários daquele estado.

Por vezes, na semelhança de problemas ligados ao jornalismo, o mundo parece mesmo uma pequena aldeia global.


(dica de Editors Weblog)

8.11.07

Papel em queda, ciberjornais a crescer

Enquanto os 25 maiores jornais norte-americanos continuam a tendência de queda de circulação, como confirmou, há dias, o Audit Bureau of Circulations, vemos os lucros da ciberimprensa aumentar. A transferência de públicos e de anunciantes do papel para a Web parece ser uma tendência com futuro.

O lucro gerado pelos sites continua a ser apenas uma fracção da receita total dos jornais, mas as margens de lucro online estão a disparar um pouco por todo o mundo.

Segundo um estudo apresentado ontem, o lucro dos jornais de papel tem vindo a decair nos últimos anos, ao passo que os empreendimentos online mais maduros estão agora a gerar 40 por cento ou mais dos lucros. Apesar disso, não se prevê para breve que os lucros online cresçam ao ponto de suplantarem os gerados pelo papel. Mas, com grande probabilidade, será apenas uma questão de tempo.

Escusado será dizer que as empresas jornalísticas devem estar particularmente atentas a estas tendências.


A ler:
Revenue From Web Sites Remains Small - But Profit Margins Are Swelling

27.10.07

Palmas e Bordoadas: no Expresso

Por vezes, dá a impressão que o Expresso chega a sábado já muito cansado de uma semana inteira de trabalho. O resultado é este: primeiras páginas desertas.

25.10.07

Vídeo cresce nos jornais

O vídeo é cada vez mais utilizado pelos jornais, em especial os norte-americanos. Andy Dickinson, professor de ciberjonalismo na universidade de Central Lancashire, traduziu em números aquilo que é visível em muitos ciberjornais.

Os jornais diários produzem agora entre 4 e 8 vídeos por semana, enquanto os semanários se ficam, no máximo, pelos 4. A duração média de cada vídeo é de 2-3 minutos. Demora cerca de uma hora a produzir 1 minuto de vídeo.

Os resultados pormenorizados do inquérito online conduzido por Dickinson podem ser vistos aqui.


(dica de Editors Weblog)

20.10.07

Recrutas em Flash

Dois repórteres do St. Louis Post-Dispatch acompanharam, durante nove semanas, um grupo de recrutas do Exército norte-americano. O resultado foi uma reportagem multimédia, produzida em Flash, dividida em seis partes e com uma componente vídeo bastante assinalável.

Trabalhos em Flash, como este Reporting for Duty, que, apesar de interessante, não chega aos calcanhares de outras reportagens multimédia premiadas (MSNBC, Washington Post, etc.), têm vindo a ser produzidos, cada vez mais de forma regular, por jornais norte-americanos.

Mas, tal como pergunta Robert Niles, na Online Journalism Review, até que ponto este formato serve a audiência? Que se aprendeu até agora sobre narrativa jornalística em Flash? Que devem os jornalistas fazer para ajudar a consolidar as normas de produção?

Apesar das muitas questões em aberto, a reportagem multimédia, que experimento com os meus alunos de Ciências da Comunicação desde 2004, é um dos campos mais desafiantes e fascinantes do ciberjornalismo. Infelizmente, os média online portugueses encontram-se ainda praticamente a zero nesta matéria.

15.10.07

"Querer comprender" El País no YouTube

O anúncio de televisão do 'novo' El País (ver entrada anterior) já está no YouTube. Se a ideia é piscar o olho às gerações mais novas, o pequeno spot parece acertar. No texto, no tom e no ritmo:

14.10.07

Chaves para compreender o 'novo' El País

El País, o maior diário espanhol, com 31 anos de história, vai mudar no próximo domingo. A ordem das secções será alterada e haverá «janelas e novos formatos e linguagens. Objectivo: fornecer chaves para compreender.»

A propósito das mudanças que se avizinham, o director do jornal, Javier Moreno, procura responder a uma questão simples: para quê mudar? «Cambiamos por responsabilidad; por responsabilidad con nosotros mismos, en primer lugar, como periodistas; por responsabilidad con nuestros lectores y, por extensión, por responsabilidad con la sociedad a la que nos dirigimos y con la que ya contrajimos ese compromiso hace 31 años, cuando el periódico vio la luz por vez primera.»

Moreno rejeita a ideia de que o jornalismo esteja em crise. Mostra-se, antes, mais preocupado como futuro da democracia e com a ligação às novas gerações : «Por eso no creemos que el periodismo esté en crisis; y si nos hubiéramos de preocupar por el futuro de los periódicos, mejor haríamos en hacerlo por el futuro de la democracia misma. Por eso cambiamos. Un periódico es, entre otras muchas cosas, una mirada compartida con sus lectores a lo largo de los años. Y para seguir desempeñando esa función con éxito en los próximos 15 o 20 necesitamos conectar con las generaciones que se convertirán en el eje central de este país en ese periodo de tiempo. A todos los niveles: un nuevo discurso narrativo; otra manera de contar lo que sucede; cómo se les ofrece y qué se les ofrece; un nuevo perfil de la modernidad, que ahora tiene poco que ver con la que se impuso hace tres décadas; Internet.»

A ler:
EL PAÍS cambia con sus lectores
De cómo y para qué se ejerce el periodismo

10.10.07

Jornais e blogues na mesma onda

De início, os jornais estranharam ou desprezaram os blogues. Agora, não só os acolhem nas suas páginas online como até, nalguns casos, partilham os lucros da publicidade.

Recentemente, o Washington Post e o Guardian acrescentaram um "blog roll" (lista de blogues) patrocinado às suas edições na Web. Se algum dos blogues listados conseguir vender um anúncio, o lucro é divido entre o jornal e o bloguista.


A ler:
From despising blogs to sharing revenue
Newspapers, bloggers now on the same page

4.10.07

Vídeo: ciberjornais apostam no 'outsourcing'

No que ao vídeo diz respeito, os jornais de peso estão a apostar no outsourcing.

Por exemplo, os vídeos dos sites do Guardian e do Daily Telegraph vão ser geridos pela empresa norte-americana Brightcove, que já tem na sua carteira de clientes o Wall Street Journal e o Washington Post, entre outros.

A ideia é simples: quando os jornais, cuja matéria-prima principal é o texto, não têm meios técnicos ou humanos para gerir um medium que à partida lhes é estranho, contratam quem sabe do assunto. Não custa muito: basta saber definir prioridades e ter capacidade de concretização.

O "player" da Brightcove no Telegraph vai ter este aspecto:

(dica de Beet.tv)

27.9.07

O Público espanhol

Numa altura em que tanto se fala de crise na imprensa e de jornais gratuitos, a Espanha vê nascer um diário pago, o Público, pela mão do grupo Mediapro.

Há algumas particularidades neste lançamento que merecem registo. A começar pelo perfil do director: Ignacio Escolar tem 31 anos e é um dos mais populares bloguistas do país. Novidade a nível mundial uma escolha deste tipo.

Goste-se ou não, Escolar vem com algumas rupturas na manga: diz, por exemplo, que o jornal não precisa de editorial, pois considera este género de artigo coisa do século XIX.

Depois, o novo diário diz logo ao que vem. Público assume-se como jornal de esquerda. A Mediapro é vista como próxima de Zapatero. (Pena que, em pleno século XXI, jornais "de qualidade" nasçam logo com rótulos políticos e, aparentemente, colados a estratégias estranhas ao jornalismo. Naturalíssimo, dirão alguns...).

O Público quer conquistar leitores jovens, que andam todos a fugir para o Hi5, MySpace e Second Life e pouco querem saber de tecnologias de papel. É compacto. Aposta num grafismo "fresco" e explora a infografia. É todo a cores. Tem uma redacção única (para o papel e para a web, uma aposta na convergência, portanto) de 140 jornalistas, quase todos na faixa etária do director. E só custa 50 cêntimos (o Público português custa quase o dobro).

Na versão online, ainda muito incipiente, o Público.es, é, em termos gráficos, semelhante ao ELPAÍS.com, mas um pouco menos comedido. Por exemplo, no tamanho, grande, das fotos.

No texto de apresentação do novo jornal, o director começa por citar o comediante Seinfeld.


Outras leituras:
Será que dá?
Público, a new quality spanish views-paper in a booming market

18.9.07

New York Times todo de borla

Mais um passo importante na tendência de tornar completamente gratuito o acesso a todos os conteúdos dos ciberjornais: como já era esperado há algum tempo, o The New York Times deixou, hoje, de cobrar pelo acesso aos textos dos colunistas e a material de arquivo.

Outra novidade, desta vez relacionada com a "interactividade" com os leitores: o Times publicou a sua primeira vídeo-carta ao director. Foi produzida por um realizador de cinema, Charles Ferguson, a propósito de um artigo de opinião, publicado oito dias, de Paul Bremer, sobre o controverso tema do Iraque. A vídeo-carta dura 10 minutos e, para carta ao director, está, no mínimo, muito profissional.


A ler:
Conteúdos pagos: fim à vista?

12.9.07

Expresso em mudanças

A edição online do Expresso está em fase de mudança e, por isso mesmo, tem tido alguns problemas técnicos. Miguel Martins, editor de Multimédia do semanário da Impresa, explica que no novo site (estreado no sábado passado), «as grandes apostas continuam a ser vídeos, fotogalerias, podcasts e interacção com os leitores.»

O Monde experimenta

O site experimental que o jornal francês Le Monde acaba de colocar online, o LePost.fr, é, de um ponto de vista da exploração das mais recentes tendências da Web (a chamada Web 2.0 ou Web social), interessante. Mas...

Os leitores podem criar a sua conta, blogar, publicar as suas próprias notícias, classificar, colocar etiquetas, interagir, personalizar, etc.. "le mix de l'info". As notícias são apresentadas, com vídeos do YouTube e Daily Motion à mistura, em formato blogue. O estilo de escrita é ligeiro e os títulos estão cheios de pontos de interrogação e exclamação.

A incorporação de ferramentas da Web 2.0 é aqui feita sem complexos e a todo o gás. Algo que o Le Monde.fr dificilmente poderia fazer sem ver afectada a sua aura de respeitabilidade. Um tipo que escreve "notícias" e coloca como sua a foto de uma figura dos Simpsons? Não resultaria.

O público-alvo do LePost.fr é outro. E aqui é que nos podemos interrogar sobre os possíveis caminhos do ciberjornalismo. Se, eventualmente, vierem a ser os que vemos nesta experiência (que não é única), temos razões para ficar preocupados. Acima de tudo, porque pressupõe um aligeiramento substancial, tanto na forma como no conteúdo, das notícias.


Outras leituras:
Le Post, nouveau venu parmi les sites d'information
LeMonde.fr lanza un medio filial para experimentar modelos editoriales

22.8.07

Palmas e Bordoadas: Correio da Manhã popularucho

Agosto tem o condão de amolecer o neurónio da nossa praça jornalística. É assim há anos. A queda para o disparate editorial agrava-se consideravelmente nesta época. A manchete de hoje do Correio da Manhã, popularucha, dramatizada, a puxar ao sentimento, vazia de informação, é mais uma pérola, desastrosa, a juntar a tantas outras provocadas pelos excessos perversos do calor das audiências.

15.8.07

Ciberjornais não "canibalizam" os de papel

O receio de "canibalização" das edições em papel pelas edições online sempre foi um dos maiores receios dos gestores dos jornais. Um estudo agora revelado, em Inglaterra, mostra que «as versões online dos jornais britânicos não prejudicam as vendas das edições em papel, tornando-se cada vez mais complementares destas últimas.» (JN)

Segundo o relatório, «apesar da audiência pela Internet ser superior à da versão em papel, os leitores do suporte tradicional são mais fiéis aos títulos do que aqueles que procuram as notícias pelo ecrã do computador.»


A ler:
Edições on-line não tiram leitores aos jornais em papel

1.8.07

Em quem confiar na Web?

Eles multiplicam-se a toda a hora: são os blogues, os sites de "jornalismo do cidadão", os de jornalismo "hiperlocal" ou "microlocal", os sites noticiosos publicados por todo o tipo de organizações que não empresas jornalísticas, etc..

Tudo isto é óptimo para a multiplicação de pontos de vista e para a diversificação de fontes. Mas, como assinala Steve Outing na sua última coluna na Editor & Publisher, esta sobreabundância tem o seu preço para os leitores: como saber em quem confiar? Como saber se a informação é correcta e equilibrada ou se está antes ao serviço de alguma "agenda" menos clara?

Para as empresas jornalísticas, isto também pode representar um problema, uma vez que cada vez mais acrescentam aos seus sites fontes ou vozes alternativas, como bloguistas convidados ou "cidadãos-jornalistas".

Outing propõe, por isso, uma solução: as empresas jornalísticas deviam começar a fazer um "ranking" das fontes alternativas que publicam, de forma a ajudar os seus leitores a saberem melhor o que estão a ler.

Para começo, a ideia não é má. Veremos se, na prática, tem pernas para andar.


A ler:
It Ain't Easy Knowing Who You Can You Trust

23.7.07

Boas novidades no chicagotribune.com


O Chicago Tribune, desde sempre na vanguarda do ciberjornalismo, redesenhou o seu site de modo a reforçar a cobertura contínua dos acontecimentos e a componente multimédia. As novidades passam por:

* actualização informativa 24 horas por dia, com monitorização permanente por parte de uma editoria criada para o efeito

* mais leitores de vídeo e câmaras colocadas pela cidade para captar imagens a usar em notícias locais

* galeria de fotos aumentada e optimizada. Os leitores são agora encorajados a enviar as suas fotos pessoais, que serão publicadas no chicagotribune.com

* mais de uma vintena de blogues oferece "comentário em tempo real"

* espaço para comentários para que os leitores possam classificar e discutir as notícias com outros leitores (uma clara assimilação de conceitos da web 2.0)

* opção de personalização “MyNews” para alertas de última hora, resumo das notícias da manhã e actualizações via telemóvel

* Um motor de busca melhorado para encontrar notícias num arquivo que recua até 1852, uma opção sempre muito valiosa em qualquer jornal, mas ainda mais em diários centenários. Se bem gerida, esta opção pode ser altamente rentável para o Chicago Tribune.

O chicagotribune.com tem agora um design como deve ser: limpo, simples, fácil de usar.


(dica de I Want Media)

30.6.07

Telegraph de ponta II

Depois do slideshow, podemos agora ver o vídeo sobre a integração multimédia no Daily Telegraph. Foi produzido pelo Innovation International Media Consulting Group e apresentado no recente World Newspaper Congress, na Cidade do Cabo.

A palavra-chave aqui é integração:

27.6.07

Imprensa partilha vídeos

E o vídeo move-se nos pesos pesados da imprensa norte-americana. Primeiro foi o Wall Street Journal. Há dias, o Washington Post. Segue-se o New York Times. Todos eles estão a virar-se para a "fórmula YouTube" de partilha de vídeos.

A partilha de vídeos, como se sabe, explica em boa parte o sucesso do YouTube. A ideia destes jornais passa por aplicar esta fórmula a clips noticiosos. Para o efeito, aliam-se a novas empresas, como é o caso da Brightcove, para que estas tratem de tudo. O resultado é este, publicidade incluída:

15.6.07

Comunidade no ELPAIS.com

O ELPAIS.com abriu uma área para os leitores poderem criar os seus blogues. A ideia está longe de ser nova. Mas o interessante aqui é o modo como o ciberjornal apresenta o novo espaço, La Comunidad:

«La dirección de la página será: http://lacomunidad.elpais.com/nombre-del-blog y permitirá al internauta tener un lugar donde escribir, mostrar sus fotos, vídeos y audios. Los usuarios con página o blog en elpais.com podrán formar sus propias comunidades, abiertas a personas, grupos y asociaciones. El único límite está en escribir con respeto y no usurpar la identidad de otros.»