30.12.05

Imprensa e Internet

«A Internet não é apenas mais um suporte: é o fim do jornalismo tal como foi vivido até hoje». Esta frase é retirada do livro La Prensa sin Gutenberg, escrito por Bruno Patiño, director do Le Monde Interactif, e Jean-François Fogel, ligado ao LeMonde.fr, ambos vindos do mundo da imprensa "tradicional".

Sobre a obra agora publicada, Francis Pisani faz hoje, no CiberP@is, um resumo dos pontos mais importantes. E, pelo que se lê, temos aqui mais um livro incontornável.

22.12.05

Autoridade sobre os media

Eis uma boa, e relevante, notícia: «O sector dos media vai estar debaixo de olho da Autoridade da Concorrência (AdC) durante o primeiro trimestre do próximo ano, afirmou ao DE Abel Mateus, presidente do organismo regulador da concorrência.» (Diário Económico)

O sector dos media é demasiadamente importante para a sociedade para que seja deixado aos seus livres arbítrios, quase sempre (e cada vez mais) marcados por um cunho economicista voraz de vistas curtas.

O país é pequeno e os principais órgãos de comunicação estão concentrados em muito poucas mãos. Isso pode ser bom para empresas e accionistas. É quase sempre mau para a democracia e o pluralismo de que ela se deve alimentar.

Esperemos, pois, que a Autoridade da Concorrência se comporte à altura. E que não ceda a pressões.


A ler:
Governo quer legislação anti-concentração dos media
Concentração dos Media e Pluralismo

15.12.05

Cinema e jornalismo à grande e à francesa

Para quem gosta muito de jornalismo e outro tanto de cinema, esta é uma publicação a colocar desde já no topo das prioridades de Natal: Print the Legend - Cinéma et Journalisme, editada pelos Cahiers du Cinéma.

Trata-se de uma obra colectiva, com diversos textos sobre muitos dos maiores filmes em que o jornalismo é o tema central. Estão lá os grandes clássicos, da envergadura de um Citizen Kane ou de um Blow Up, mas também filmes mais recentes, como O Informador, Shattered Glass - Verdade ou Mentira ou Live from Bagdad (ainda não disponível em Portugal).

Nas páginas finais, encontramos uma lista com mais de 300 obras, abrangendo os séculos XIX, XX e XXI! Imperdível.

12.12.05

A vida depois da televisão

A notícia da última página do Público de hoje, que dá conta da intenção da Intel de usar uma nova tecnologia que permite fundir a televisão com o computador, trouxe à memória as "velhas" profecias de George Gilder sobre o fim da televisão e sua substituição pelo "teleputador" (teleputer).

Lembro-me de um documentário televisivo em que Gilder, um veterano das novas tecnologias, aparecia a carregar o seu televisor num carro de mão para depositá-lo no lixo. «Cá em casa já não há espaço para a TV», explicava o autor do provocativo Life After Television, obra em que se lê frases como: «a televisão é uma ferramenta de tiranos».

Quem acompanha o andamento das novas tecnologias há muito que perdeu as dúvidas de que o casamento total entre a TV e o computador era (é) apenas uma questão de tempo. As próprias designações "televisão" e "computador" poderão ser palavras anacrónicas para as gerações que se seguem.

Esta é, sem dúvida, uma boa ocasião para ler, ou reler, Life After Television.


Memória
A televisão na idade da reforma

1.12.05

Is this healthy?

Numa notícia, da página de Media do DN de hoje, com pouco mais de meia dúzia de parágrafos, lê-se: holding, gadgets, target, core business, share, sitcoms.

A Impresa, a big portuguese media corporation, vai lançar a revista Stuff, dedicada aos gadgets. Well, nada de new. O DN acaba de lançar a Life. A kind of magazine for the rich and beatiful people, you see?

24.11.05

E a seguir?

«O presidente norte-americano, George W. Bush, planeou bombardear a Al-Jazeera, estação de televisão árabe no seu aliado Qatar, revelou um memorando altamente secreto, citado pelo Daily Mirror.» (DN)

O New York Times que se cuide...

22.11.05

Jornalistas online em Portugal

Cumprida a primeira década de história do jornalismo na Internet em Portugal, os jornalistas online portugueses são contituídos maioritariamente por profissionais entre os 26 e os 35 anos de idade, em início de carreira, sendo que as mulheres estão em maioria. Poucos receberam formação específica no ensino superior. Utilizam pouco a narrativa hipermédia.

Estas são algumas das conclusões que resultaram de um inquérito feito a 79 jornalistas (com 54 respondentes) por João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior. E o panorama geral não parece lá muito animador.

Canavilhas põe o dedo na ferida quando, ao procurar explicar, por exemplo, «a integração hipermédia quase inexistente, fraca utilização do hipertexto e aposta nas notícias de última hora, num modelo muito semelhante ao das agências de notícias», refere que «por detrás desta realidade parece estar a dificuldade em encontrar um modelo de negócio que viabilize as publicações online.» Ora, é precisamente aqui que o negócio empanca, impedindo a ascenção do ciberjornalismo português à "primeira divisão".

Esperemos, pois, por melhores dias.


A ler:
Os jornalistas online em Portugal

14.11.05

Cidadão. Jornalista?

Não se "faz" um jornalista como quem faz mousse de chocolate instantânea. Daí o equívoco maior da expressão "cidadão-jornalista".

12.11.05

Net e democracia

«Por enquanto, em vez de reforçar a democracia através do estímulo ao conhecimento e à participação dos cidadãos, o uso da Internet tende a aprofundar a crise da legitimidade política ao fornecer uma ampla plataforma para a política do escândalo.»

Manuel Castells

9.11.05

A 'TSF' do Prisa

O grupo espanhol de media Prisa, o tal bicho papão 'socialista' que muito bom patriota teme, tenciona arrancar com uma rádio informativa para concorrer com a TSF.

A ideia está, aparentemente, a ser bem recebida, até por responsáveis de rádios que irão sofrer a concorrência directa da nova estação, como se pode ler no DN.

A Prisa lidera o segmento da rádio em Espanha e, fora do país, não costuma brincar em serviço. Donde, é de esperar qualidade e profissionalismo no jornalismo da nova rádio, que terá porventura a virtude acrescida de levar a uma sacudidela de pó instalada nalgumas ondas hertzianas nacionais.

E, tanto quanto se ficou a saber, os noticiários não serão lidos em castelhano...

Internet e mercado

«Apesar de as novas tecnologias terem grande potencial para a comunicação democrática, há poucas razões para esperar que a Internet sirva fins democráticos uma vez entregue ao mercado.»

Edward Herman

7.11.05

Canais do Porto

Após o trauma NTV, o Porto parece disposto a sair do buraco negro audiovisual em que se encontra metido desde então. Dois projectos perfilam-se no horizonte: a Invicta TV, a emitir na TVTel, e o Porto Canal, na TV Cabo.

A cidade e a área metropolitana respectiva precisam, com toda a urgência, destes projectos, de modo a contrabalançar a perversa macrocefalia televisiva do país. A ausência de um canal de televisão regional é um claro sinal de subdesenvolvimento social e económico da região, que ainda recentemente perdeu um jornal centenário, O Comércio do Porto. Com o falhanço da NTV, o Porto passou a si próprio um atestado de incompetência e menoridade. Urge, portanto, recuperar.

Acresce que estes projectos podem potenciar actividades económicas paralelas ou complementares e, simultaneamente, dinamizar o mercado de emprego na área da comunicação e do jornalismo. Mas, para já, falta informação concreta quanto aos conteúdos, quer programativos, quer informativos. Isto é, falta os canais dizerem ao que vêm.


A ler:
TV Cabo adora o Porto
Invicta TV emite nos "próximos dias"

2.11.05

"Cacha" na Visão Online

É sempre gratificante ver uma "cacha" emergir de um medium na Web. Desta vez, a Visão Online toma a dianteira na actualidade noticiosa com a revelação de que um destacado dirigente socialista terá recebido a "visita" em casa de inspectores da Polícia Judiciária.

A notícia é apresentada online apenas com o essencial. A revista remete os desenvolvimentos para a edição em papel, a publicar amanhã.

Neste contexto, ouro sobre azul seria, no entanto, o exclusivo ter sido conseguido por um ciberjornalista da Visão Online.

31.10.05

PRISMA.COM: uma nova revista académica

Acaba de nascer a revista académica PRISMA.COM. Trata-se de uma publicação online dedicada à investigação na intersecção da comunicação, informação, tecnologia e artes. É propriedade da unidade de investigação CETAC.COM (Centro de Estudos em Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação), da Universidade do Porto.Conforme se pode ler na 'Política Editorial' da nova revista, aqui são publicados artigos de natureza teórica, ensaística ou de comentário e reflexão, bem como trabalhos monográficos nos domínios das ciências, artes e tecnologias da comunicação e da informação.

Trabalhos de natureza empírica, recensões críticas da literatura própria destes domínios, noticiário sobre actividades em curso ou a desenvolver, bem como entrevistas e outros materiais de carácter informativo e de divulgação nestas áreas do conhecimento, têm também o seu espaço.

30.10.05

Proulx e a comunicação

O canadiano Serge Proulx, sociólogo e professor de comunicação, esteve esta semana em Lisboa para falar de cibernética. Em entrevistas ao DN (Segunda-feira passada) e ao Público (hoje), o co-autor de A Explosão da Comunicação deixou alguns tópicos interessantes. Por exemplo:

«Na nossa sociedade há uma sobrecarga de informação e isso não se traduz automaticamente num crescimento da comunicação». Proulx defende uma refudação da educação para enfrentar a overdose informacional. «Estamos numa sociedade onde a comunicação é uma preocupação permanente, mas isso não quer dizer que comunicamos mais, no sentido da troca simbólica».

«O problema da comunicação é omnipresente. Tudo, hoje em dia, é comunicação, do comércio à política. Quanto ao desenvolvimento de uma ciência da comunicação, ainda não atingimos a maturidade. Estamos no balbuciar de uma ciência da comunicação». «Alguém conseguir ser eleito é cada vez mais uma questão de comunicação».

«Até 1995, o primeiro grande período da Internet, houve a expansão de uma cultura da liberdade. A partir daí, entramos na fase do mercado. Ainda estamos perante uma tensão entre dois pólos.»


A ler:
Informação a mais obriga à refundação da educação