18.4.06

De leituras: Ciberjornalismo, Net, telemóvel

«Num contexto de intensa evolução da tecnologia assume cada vez maior relevância a aproximação entre os mercados da Internet e da telefonia móvel, dois mundos que até agora faziam um percurso de um modo paralelo, sem chegarem a relacionar-se, e que agora mostram uma clara tendência para a convergência, não apenas tecnológica, mas também como oportunidade de negócio a curto, médio e longo prazo, dando forma a um novo canal através do qual corre a ciberinformação: Internet Móvel.»

David Parra Valcarce e José Álvarez Marcos in Ciberperiodismo

15.4.06

A Web social no Público

Após o fim do suplemento Computadores, a informação sobre a Internet tornou-se bem mais escassa no Público. Agora, só de vez em quando podemos ler destaques como o que abre a edição de hoje, sobre as novas relações sociais que a rede está a criar.

O conjunto de textos merece uma leitura atenta e pode ser lido, gratuitamente, no Publico.pt:

Geração MySpace companhia ilimitada
O boom da dot-com, versão 2.0

14.4.06

JN de mal a pior

Algo vai muito podre no reino do JN. Proibir um plenário na redacção do jornal?

Trabalhei no JN durante onze anos. Quando entrei, numa altura em que a banda sonora da redacção ainda era a das máquinas de escrever, o jornal pertencia ao estado. Depois, passou pelas mãos do coronel Luís Silva e da Lusomundo. A seguir, aguentou os muitos anos de incompetência da PT na área dos media.

Mas nunca, nestes períodos, assisti a um tal grau de proibicionismo e perseguição aos jornalistas da casa. Os plenários sempre tiveram lugar na redacção. Nunca um administrador se lembrara de proibir e, pior ainda, ameaçar os jornalistas que participassem num plenário, como aquele que foi convocado para ontem e que acabou por se realizar no auditório do jornal.

Quando o jornal passou para as mãos do empresário-futeboleiro Joaquim Oliveira temi o pior. Ele aí está em todo o seu esplendor.


A ler:
Administração do JN proíbe plenário na redacção (Público, 13.04.2006)

11.4.06

Diário Digital, lista telefónica

O Diário Digital mudou de formato e fez algumas alterações nos conteúdos, o que é de saudar. Mas, sobretudo de um ponto de vista gráfico, mudou para pior. Boa parte das páginas está tão atraente quanto as Páginas Amarelas.

Veja-se, por exemplo, a secção de Política. Quando a abrimos, apanhamos com um chapadão compacto de 75 entradas para notícias. Nem uma foto para aliviar. As secções de Sociedade, Mundo, Desporto e Cultura são idênticas. Só as secções de Música e de Economia, produzidas como canais autónomos, se parecem com um jornal online do ano de 2006.

Posto isto, registe-se o aspecto mais positivo desta mudança: a saída do colunista Luís Delgado.


A ler:
O DD muda hoje

8.4.06

Retoma no ciberjornalismo

Sinais a acompanhar com atenção: «O número de leitores das versões digitais dos jornais está a aumentar muito rapidamente, segundo um estudo divulgado nos Estados Unidos, que ressalva o facto de os patrões da imprensa estarem a tentar encontrar formas de explorar esse crescimento perante a queda de circulação das suas edições impressas.» (Diário Económico)

Estaremos perante o início de uma retoma ciberjornalística?

A ler:
Imprensa quer explorar sucesso das edições online
Leitores jovens querem jornais on-line
For Future Readers, Papers Should Look Online

4.4.06

NYTimes.com aposta no vídeo

O New York Times tem um novo visual na sua versão Web. Está maior, mais agradável de ver, e, por estranho que possa parecer, faz lembrar a pimeira página do Times de papel. Síntese perfeita entre os paradigmas dos átomos e dos bits?

Da carta que o editor-chefe do NYTimes.com, Leonard M. Apcar, escreveu aos leitores retive este parágrafo, que nos recorda que no ciberespaço o tempo já não é o que era:

«Há cinco anos, quando o design anterior estreou, o multimédia estava na sua infância e a qualidade do vídeo era pobre. Agora, vídeo e multimédia são elementos fundamentais da nossa apresentação na Web. Agora temos apresentações de vídeos mostradas com destaque na nossa home page e uma barra no topo da página que leva directamente para toda a nossa oferta de vídeo.»

3.4.06

TSF Online: uma rara entrevista

Na TSF Online, João Paulo Menezes, na rubrica radio.com, dá-nos a (rara) oportunidade de ouvir um editor multimédia português a falar de ciberjornalismo.

No caso, Luíz Carvalho, do Expresso Online, fala da aposta, recente, do seu jornal online nos podcasts e indica uma das principais prioridades: a introdução de vídeo.

Para além disso, podemos ouvi-lo sobre questões como a formação para o "jornalismo multimédia", os problemas da medição das audiências e o financiamento dos ciberjornais.


A ouvir:
Expresso, um jornal multimédia?

31.3.06

Animação nos cartoons

Pode ser que um dia possamos ver no Público.pt ou no Expresso Online versões animadas em Flash dos cartoons do Luís Afonso ou do António.

Veja-se, no ELPAIS.es, a viñeta animada de Ramón "Los tímidos comienzos".

29.3.06

Jornais cansados

No fórum da TSF, hoje de manhã, discutiu-se a crise nos jornais. Uma discussão sobremaneira oportuna, numa altura em que em Portugal e noutros países as vendas caem a pique e os leitores fogem.

Gostei, particularmente, da intervenção de Carlos Pinto Coelho. Sobretudo quando falou no «jornalismo cansado» com que nos brindam os nossos diários e semanários.

28.3.06

Défice crónica

Baptista-Bastos, distinguido com o Prémio de Crónica João Carreira Bom/Sociedade de Língua Portuguesa 2005, tem muita razão do seu lado ao dizer que os jornais portugueses baniram a crónica dos seus espaços, que se interessam cada vez mais por «politiqueira e politiquice» e que têm «opinião a mais e má opinião, muito uniforme e aparentemente plural».

É verdade. Infelizmente, é muito verdade.

25.3.06

JN e DN sem salero

Uma leve impressão: as primeiras páginas do JN e do DN, diários que foram alvo, recentemente, de uma remodelação gráfica (mais uma...), estão piores. São ambas mais secas e desvitalizadas que as anteriores.

As páginas interiores também não parecem particularmente entusiasmantes. O JN ficou, em certas secções, mais confuso. Virou amálgama de temas.

Mas o pior de tudo é que a cosmética, em ambos os diários, teima em não resolver o problema de fundo: aquela sensação de que, tirando uma ou outra coluna, uma ou outra (rara) "cacha", se chega à última página sem se ter lido alguma coisa que valha realmente a pena.

É pena.

20.3.06

JornalismoPortoRádio

O curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (do qual sou docente) acaba de arrancar com uma iniciativa a todos os títulos louvável e estimulante: uma rádio na Web.

A JornalismoPortoRádio, que vem juntar-se ao portal JornalismoPortoNet, nasce no ano em que se assinalam os 100 anos da primeira transmissão de voz via rádio, por Reginald Fessenden. Trata-se de um «projecto extra-curricular para dotar a LJCC de um pólo de investigação e de prática laboratorial das tecnologias de produção e difusão radiofónica mais recentes.»

No plano dos conteúdos, «a webrádio terá uma forte componente informativa, incidindo sobre temas ligados à universidade, ensino, ciência, investigação, não esquecendo a vertente do entretenimento, com destaque para a música.»

Para os meus colegas que estão à frente da equipa da JornalismoPortoRádio (que têm uma grande experiência na rádio "tradicional"), e para os alunos que com eles estão a trabalhar, aqui ficam, desde já, os meus sinceros parabéns por este desbravar de novos caminhos da rádio no ciberespaço.

8.3.06

Frase idiota do ano

Pedro Rolo Duarte escreve hoje, no DN, a propósito de um debate televisivo sobre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, aquela que é uma forte candidata a frase mais idiota do ano: «Pensei no que os anos me ensinaram: no jornalismo, quem não sabe fazer, ensina; e quem não sabe fazer nem ensinar, faz pareceres ou é crítico.»

'Expresso podcasting'

O semanário Expresso, um dos jornais que mais tempo demorou a reagir à webização jornalística, acaba de aderir ao podcasting.

Segundo notícia do próprio Expresso, «é o primeiro jornal online português a disponibilizar para os seus leitores entrevistas em podcast, permitindo que sejam ouvidas no computador ou num IPOD ou noutro leitor de mp3, em qualquer lado e a qualquer hora.»

Para já, dá para ouvir a entrevista a José Sócrates (publicada na última edição em papel) e o programa da SIC Notícias Expresso da Meia-Noite.

2.3.06

Mais jornalismo e cinema

Este é dos tais filmes que dá para recomendar, sobretudo a jornalistas, estudantes de comunicação e docentes nesta área, de olhos fechados, isto é, sem ainda se ter visto: Boa Noite, e Boa Sorte, sob a batuta de George Clooney, teve uma estreia auspiciosa em Veneza. Estreia hoje nas salas portuguesas.

Eis a sinopse, retirada do Cinecartaz do Público.pt: «A acção de "Boa Noite, e Boa Sorte" decorre nos primórdios do jornalismo televisivo, na América dos anos 50. O filme retrata o conflito verídico entre Edward R. Murrow, um "pivot" pioneiro na América dos anos 50, e o Senador Joseph McCarthy e a Comissão do Senado das Actividades Anti-Americanas. Graças à sua vontade de esclarecer o público, o inovador Murrow e a sua dedicada equipa da CBS desafiam pressões da empresa e dos patrocinadores ao analisar as mentiras e as tácticas rasteiras de McCarthy durante a sua "caça às bruxas" aos comunistas.»

Já agora, para quem se interessa pela temática dos media e do jornalismo, recomendo ainda dois filmes que chegaram recentemente ao mercado de DVD de aluguer: Crónicas, uma produção México/Equador, realizada por Sebastián Cordero, e o horripilantemente titulado Um Amor em África, cujo título no original é bem mais decente, In My Country, realizado por John Boorman.

O que poderá ver no interessante Crónicas: «O programa de televisão “Uma hora com a Verdade” é transmitido todas as noites de Miami para toda a América Latina, com as histórias sensacionalistas mais fortes que se podem encontrar. Para um desses programas, o apresentador Manolo Bonilla (John Leguizamo) voa para o Equador, na companhia da produtora Marisa (Leonor Watling) e o operador de imagem Ivan (José Maria Yazpik), seguindo a pista de um violador e assassino de crianças, conhecido como “O Monstro de Babahoyo”. A morte acidental de uma criança leva os habitantes de uma pequena povoação a quase linchar Vinicio Cepeda (Damián Alcázar), um humilde vendedor de Bíblias. A intervenção de Manolo salva a vida do homem. É uma grande história para o programa. Vinicio é mesmo encarcerado, por homicídio involuntário, e oferece a Manolo informações sobre o “Monstro”, a troco de uma reportagem sobre a sua injusta situação. Manolo aceita, atraído pelo lado obscuro que pressente em Vinicio, e começa a quebrar todas as regras, decidido a ser ele o herói que detém o assassino com as suas próprias mãos.» (PT Gate)

E em Um Amor em África, um filme mediano, onde Juliette Binoche enche, uma vez mais, todo o ecrã: «Langston Whitfield (Samuel L. Jackson) é um jornalista do Washington Post, enviado à Africa do Sul para cobrir as sessões da Comissão da Verdade e Reconciliação. Ele está apreensivo em relação à viagem, tal como está céptico relativamente ao processo de reconciliação, sentindo que é apenas uma forma de os perpetradores escaparem ao castigo. Anna Malan (Juliette Binoche) é uma poetisa africana que cobre as sessões para a rádio estatal sul africana e NPR nos Estados Unidos. Anna é uma entusiasta do processo, tem um grande respeito pelas tradições africanas nativas e tem grandes esperanças relativamente ao seu país. Como membros da imprenssa internacional, Anna e Langston encontram-se e estão instantaneamente em desacordo relativamente às suas perspectivas opostas das sessões. Mas, com o tempo, a experiência compartilhada de ouvir os testemunhos comoventes e dolorosos aproxima-os cada vez mais.» (PTGate)