30.10.06

Vídeo no texto da economia

Não é nenhum ovo de Colombo, nem um salto quântico multimédia no ciberjornalismo português. Mas não deixa de ser um passo inteligente por parte do Diário Económico. O vídeo chegou às páginas do DiarioEconomico.com numa altura em que os ciberjornais generalistas continuam a dormir na forma e a investir praticamente zero. Seja no que for.

A ideia é simples: «A partir de hoje, pelo menos três vezes por dia, o Diário Económico vai ser o primeiro jornal português a disponibilizar no seu site comentários económicos em formato de vídeo sobre a actualidade e o dia do mercado bolsista.» (Público)

Implicará esta pequena inovação investimentos gigantescos? Não. Estará tecnicamente apenas ao alcance dos génios do MIT? Nem por sombras.

A partir de hoje, «o cantinho do Diário Económico onde se faz televisão» vai ser usado três vezes por dia. Se a maioria dos ciberjornais quisesse usar a cabeça e tivesse vontade de sair da pasmaceira, faria o mesmo.

27.10.06

Que se passa no Porto?

Se aplicarmos o critério da visibilidade noticiosa do Porto nos principais jornais portugueses, o Porto está morto.

O Porto, cidade e Área Metropolitana, está em morte lenta no Público. Moribundo no DN. Definhando no Expresso. Não existe no Sol. O Correio da Manhã tem mais em que pensar. O 24 Horas é para esquecer.

Só o JN, que tem sofrido na pele das suas páginas sérias queimaduras provocadas pela(o) capital, lá vai aguentando as suas páginas do Grande Porto. Um milagre.

Que se passa? É o péssimo feitio e estreiteza de vistas de Rui Rio? É a sujidade do rio Douro que afugenta as empresas, os "cérebros", os artistas, investidores, as elites, e as entrega nos braços da Quinta da Marinha? É a cidade histórica a cair de podre que deprime o pulsar da urbe? São as crateras lunares das ruas que dão cabo dos Jaguares?

Ou, então: será que no Porto não se passa mesmo nada?

20.10.06

Sol e Expresso: ganha o melhor

Quem já viu a cara do Sol e conhece bem o Expresso (no melhor e pior que tem) não estranhará esta notícia: «A maioria dos leitores portugueses de semanários prefere o Expresso ao novo Sol, segundo um estudo efectuado pela Marktest». (Público)

17.10.06

No Teatro Rivoli

Rui Rio e a Cultura têm umas contas de calculadora a ajustar. Mas isso não irá acontecer nesta vida. O "caso" Rivoli está neste ponto:

«A Câmara Municipal do Porto cortou a iluminação e colocou o ar condicionado no máximo do frio numa tentativa de acabar com o protesto de um grupo de actores e espectadores que se mantêm barricado há mais de 30 horas no Rivoli Teatro Municipal.»

O Publico.pt apanhou bem a polémica no ar e abriu um blogue, o No Teatro Rivoli. A provar que há boas ideias que ficam de graça.

14.10.06

Palmas e Bordoadas: no Sol

A edição de hoje do Sol folheia-se em cinco minutos. Não se pára em nenhum apeadeiro porque não aparece nada verdadeiramente estimulante para ler. No caderno principal, não há 'notícias duras'. Temos o bom velho estilo herdado do Expresso: mexericos políticos de alto nível. Pouco mais. A investigação "a sério" prometida pelo director? Nada. É quase tudo requentado, já visto.

Os colunistas desencorajam. São "cromos" gastos de tanta exposição mediática. A Tabu parece ser dirigida por Margarida Rebelo Pinto, também ela ilustre colunista da casa. Revista frívola. Lux. De Caras. Inenarrável aquela novela dos bastidores da saída de José António Saraiva do semanário de Pinto Balsemão. Por este andar, o Sol arrisca-se a brilhar por pouco tempo. A bem do pluralismo, gostava imenso de me enganar neste pessimista cálculo de risco.

9.10.06

Encontro de Weblogs no Porto

O 3º Encontro Nacional e 1º Encontro Luso-Galaico sobre Weblogs está à porta. Começa na próxima sexta-feira e termina no dia seguinte, no auditório da Reitoria da Universidade do Porto.

A ideia deste encontro, coordenado pelo meu colega Fernando Zamith, é «juntar investigadores, utilizadores e interessados em weblogs em Portugal e na Galiza» e tem como principal objectivo «contribuir para a exploração deste tema e fomentar o desenvolvimento de uma comunidade de reflexão e investigação transdisciplinar nesta área.»

Os principais oradores são José Luis Orihuela, Enrique Dans e Manuel Pinto. O programa pode ser lido aqui.

O encontro é organizado pelo Centro de Estudos das Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação (CETAC.COM) da Universidade do Porto com o apoio da Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação (LJCC) da mesma universidade.


P.S. Declaração de interesses: faço parte das comissões de organização e científica deste encontro.

8.10.06

O futuro dos média hoje

Muito oportuno e bastante acessível, o conjunto de peças que o Público hoje publica sobre os desafios que os média enfrentam é para ler e guardar.

Lead: «Os especialistas estão de acordo: o jornalismo está a sofrer a maior transformação desde a industrialização da imprensa escrita no século XIX. Os desafios são muitos. Há uma avalanche de novas tecnologias que colocam novos desafios à profissão. Os media buscam a estratégia certa para responder a esses desafios. "Convergência" é a palavra-chave».


A ler:
Os media olham o futuro: "O melhor dos tempos e pior dos tempos"

6.10.06

De leituras: Mediatizados

Um tema interessante a pedir leitura urgente: os média contemporâneos estão a moldar as nossas vidas de formas completamente novas? O mundo, como já dizia Shakespeare, é mesmo um grande palco e nós meros actores?

O antropólogo e professor universitário norte-americano Thomas de Zengotita acha que sim. E desenvolve a ideia num livro que acaba de ser publicado: Mediatizados – Como os Média Moldam o Nosso Mundo e o Modo Como Vivemos.

Excerto da sinopse: «Do funeral da princesa Diana à perspectiva do terrorismo à escala global, de cenas de sexo na Sala Oval à política de cowboyada em terras distantes, Mediatizados guia-nos por cada departamento da nossa sociedade intensamente mediatizada. A cada esquina vemo-nos tal qual somos, mergulhados em opções, rodeados por representações e forçados por estas circunstâncias a transformar as nossas vidas em actuações. »

Peter Preston, do Guardian, já leu e gostou. E deixa-nos, a nós, com uma grande vontade de partir para esta leitura.

3.10.06

Os deuses dos média

Eis mais uma novidade que tresanda a éter: a TSF vai estrear um «novo formato de comentário» (novo formato?) com «cinco das principais figuras da vida política portuguesa».

Que figuras? Pedro Santana Lopes (PSD), Carlos Carvalhas (PC), António Pires de Lima (CDS/PP), António Vitorino (PS), e Joana Amaral Dias (BE).

Esta gente anda claramente a disputar o papel a Deus: está em todo lado, em horário nobre.


A ler:
TSF cede espaço ao comentário matinal

2.10.06

Publico.pt recua e refresca

O Publico.pt fez bem em tornar de novo gratuito o acesso à reprodução da edição de papel (com excepção de crónicas, artigos de opinião, editoriais, etc.).

Uma das referências do Publico.pt, o ELPAIS.es, havia dado este passo há cerca de um ano. É que, por exemplo, o número de páginas visitadas e a visibilidade nos motores de busca e até nos blogues tende a diminuir, nalguns casos drasticamente, sempre que os ciberjornais optam pela cobrança total. Nem sempre é boa jogada.

As restantes mudanças hoje estreadas, sem serem radicais ou espectaculares, melhoram o jornal. Os assinantes, por exemplo, passam a ter acesso, entre outros serviços, ao Público Digital, que permite visualizar, através do clique sobre uma interface gráfica, as páginas tal como elas se apresentam no papel (A Bola online, por exemplo, já estava a usar este sistema). O tratamento gráfico dos artigos, no entanto, continua a não ser o melhor para um espaço como a Web.

Este refrescamento tem um valor acrescentado por acontecer num momento sobremaneira difícil na vida interna do Público, nomeadamente ao nível financeiro.

E, a partir de agora, já podemos, de novo e felizmente, remeter para os artigos da página de media do Publico.pt:

Público reabre acesso gratuito à edição impressa na Internet

30.9.06

De leituras: notícias online

Há muitas e boas razões para ler o livro Online News: Journalism and the Internet, mas a profundidade da reflexão feita pelo próprio autor não é uma delas.

São poucos os parágrafos do livro em que Stuart Allan disserta, na primeira pessoa, sobre as questões abordadas. A obra, no entanto, é largamente compensada pela documentação exaustiva utilizada e pela chamada à discussão de uma plêiade de autores e de profissionais dos média que tornam esta leitura obrigatória para quem se interessa pelo mundo das notícias no ciberespaço e o seu impacto no campo do jornalismo.

Da ascenção das notícias online, que muito cresceram sob o impulso de acontecimentos de grande impacto global (11 de Setembro, atentados em Madrid e Londres, invasão do Iraque, furacão Katrina, etc.), ao nascimento e afirmação do bloguismo, do jornalismo participativo e o dos cidadãos, Allan, professor de media e jornalismo na universidade West of England, Bristol, percorre a história recente e ajuda-nos a cimentar o conhecimento nesta área. Leitura recomendada, portanto.


Outras leituras:
Nós, os Media, de Dan Gillmor
Online Journalism: A Critical Primer, de Jim Hall
Digital Journalism: Emerging Media and Changing Horizons of Journalism, de Kevin Kawamoto (ed.)
Web Journalism: Practice and Promise of a New Medium, de James Glen Stovall

28.9.06

Online Awards: o meu voto

É já na próxima semana que saberemos quais os vencedores da edição deste ano dos Online Journalism Awards. A categoria Outstandig Use of Multiple Media é das mais interessantes e tem apenas quatro finalistas.

O meu voto, se eu votasse, ia direitinho para a reportagem multimédia Rising from Ruin, do MSNBC, sobre a devastação deixada em Nova Orleães pelo Katrina. Uma reportagem capaz de nos dar uma volta de 360 graus à cabeça. Literalmente.


A ler:
MSNBC.com: multimédia a sério

25.9.06

Chostakovitch 'não passa' em TV

Se os nossos canais de televisão não estivessem tão embrutecidos como, de facto, estão, seria de esperar que hoje, dia em que se assinala um século sobre o nascimento do compositor russo Dmitri Chostakovitch, considerado um dos maiores compositores do século XX, exibissem algum programa, filme ou concerto a propósito.

A RTP, por exemplo, lá nas catacumbas dos arquivos, ainda deve ter a cópia de um filme, realizado por Tony Palmer, sobre a vida de Chostakovitch. No papel principal, temos um muito convincente e profissional Ben Kingsley.

O canal estatal passou esta fita, cujo título original é Testimony, há muitos anos. Ficaram-me boas recordações e uma grande vontade de descobrir a música de Chostakovitch. Não seria a noite de hoje excelente altura para uma reposição?

Qual quê... Temos, depois da meia-noite, E-Ring Centro de Comando, na RTP1, e a história de um elefante, na 2:. Nas privadas, nem vale a pena falar. As noites estão entregues à bicharada.

Ontem, no Público, um bom trabalho sobre a efeméride. Hoje de tarde, na Antena 2, o destaque devido, e conhecedor, a Dmitri Chostakovitch.

19.9.06

Expresso: notícias mais pequenas

O caderno principal do Expresso "grande" já não tinha muito que valesse realmente a pena ler. A versão "redux" do mesmo caderno parece ir pelo mesmo caminho, com a agravante da página minguada. O texto jornalístico está mais pequeno e mais bem arrumado. Só os anúncios parecem ter mantido o tamanho de antigamente.

Há qualquer coisa de muito errado quando chegamos ao fim de folhear os (apesar de tudo) melhores jornais portugueses e ficamos com a sensação de que eles nos dão tudo menos notícias. Notícias no verdadeiro sentido. Ou num daqueles sentidos que vem no dicionário: «aquilo que se ouve pela primeira vez».

16.9.06

Sol e sombra

Muito provavelmente, o Expresso e o Sol esgotaram hoje nos quiosques pelas razões erradas.

O primeiro, por causa do DVD de borla. Borla, em tempo de crise, é mel para os ouvidos de portugueses sobreendividados. Basta ter. Não é preciso ler.

O segundo, pela novidade. Estou ainda para vê-la no papel, pois, no Porto, o Sol desapareceu todo de manhã.

Na Web, no entanto, o Sol é o que se esperava e temia: pouco mais que uma montra do produto original. Lá temos uns blogues e uns fóruns para animar a coisa e pouco mais. A versão online nem sequer ficha técnica própria tem. Está tudo dito. É muito franciscano, este novo ciberjornal.

Se, como tudo indica, o grosso do Sol de papel for o que está despejado online, também não aquece nem arrefece em termos jornalísticos. O tom, os temas, o estilo, têm a marca indelével das décadas que António José Saraiva passou à frente do Expresso.

Posto isto, vamos dar tempo aos dois semanários agora concorrentes para ver se puxam um pelo outro nas coisas certas. Como na investigação a sério, por exemplo.


Outras leituras:
À sombrinha - primeiras notas, de Luís Santos