27.11.06

Ciberjornalismo: desdém

Conservadorismo, monolitismo, horror à mudança, amor à rotina, desconfiança em relação à novidade e um certo autismo, são ainda marcas fortes de muitas redacções 'tradicionais'. No que diz respeito ao ciberjornalismo, as coisas vão mudando. Mas, devagar, devagarinho... pois toda a mudança é sinónimo de stress.

Há uma década, as coisas eram bem piores. Mas ainda hoje estamos neste ponto: «"Neste momento, a grande maioria [de jornalistas] olha-nos com algum desdém", confirma o subcoordenador da redacção online da SIC, Ricardo Rosa, referindo-se ao sentimento de desvalorização que as redacções principais manifestam pelo trabalho online - e que constitui uma das principais dificuldades. Uns chamam-lhes jornalistas de secretária, "outros pensam que estamos a copiar o trabalho deles". Felizmente para o responsável, "é uma maioria menor do que era há quatro anos, vai havendo uma integração".» (DN)

21.11.06

LASTAMPA.it renova

O LASTAMPA.it acaba de estrear um novo visual. Tal como fez o ELPAIS.com, passou para 1024 pixels. O corpo da letra dos textos está maior, mais legível. Na versão online do diário italiano La Stampa aposta-se agora nos blogues dos leitores.

Esta mudança parece menos ambiciosa que a do ELPAIS.com, que reforçou a aposta na imediatez (actualização constante), no multimédia e na interactividade, com destaque para as ferramentas da chamada Web 2.0 (del.icio.us, Digg, Technorati, etc.)

Em ambos os casos, no entanto, predomina ainda o multimédia por justaposição, isto é, o vídeo e o áudio, por exemplo, surgem desgarrados em vez de verdadeiramente integrados nas notícias. Não obstante, há mais material multimédia disponibilizado, algo que por si só já é positivo em empresas cuja matéria-prima original é o papel.

19.11.06

Nasce o ELPAIS.com

O ELPAIS.es está prestes a mudar. De nome, para ELPAIS.com, de desenho e de conteúdos.

A aposta vai ser na imediatez, no multimédia (destaque para apresentação de notícias em formato vídeo) e na participação dos cidadãos. Apostas correctas, portanto.

O ciberjornalismo, em Espanha, mexe.

16.11.06

Diploma em jornalismo

É uma pena importarmos do Brasil apenas jogadores de futebol e telenovelas. Há decisões que valiam bem um voo transatlântico. Para abalar uma certa ordem jornalística por cá fossilizada:

«O Superior Tribunal de Justiça decidiu que, para ser registrado como jornalista, o profissional deve atender a exigência de possuir um diploma de nível superior em Jornalismo.» (in Jornalismo & Internet)

12.11.06

ELPAIS.es: o melhor da Península

O ELPAIS.es acaba de vencer o prémio, atribuído pela Society of News Design, de jornal digital melhor desenhado do ano 2006 em Espanha e Portugal, na categoria de média online com mais de 10 milhões de visitas. Merecidíssimo.

Se houver dúvidas quanto à justeza do prémio, espreite-se a edição Web da revista EP3, a EP3.es. E, já agora, começando pela crítica do concerto de Antony em Madrid. Ele arrasou os madrilenos e arrasou-nos a nós em Braga, no belíssimo Theatro Circo, anteontem à noite.

Na Web, como no palco, quem sabe sabe.

11.11.06

Que se passa no Porto? (II)

A propósito de uma entrada recente aqui no Travessias Digitais sobre o "desaparecimento" do Porto das páginas dos principais jornais portugueses, o João Paulo Meneses chama, em boa hora, a atenção para o facto de, pela primeira vez na história do Porto, as três rádios "nacionais" (TSF, Antena 1 e Rádio Renascença) produzirem noticiários nacionais a partir da Invicta: a TSF no horário nobre da manhã, a RR e a A1 ao almoço.

Ora, aqui está um bom sinal de rádio que não deve passar despercebido. É pena que os jornais não sigam o exemplo. E, pelo que anda por aí no ar, os próximos tempos serão ainda piores.

3.11.06

A hora da 'música social'

Esta nova "vaga" na Web é muito interessante: depois do Orkut e as redes sociais, do Flickr e o intercâmbio social de fotos, parece ter chegado a hora da "revolução da música social" através de rádios à la carte como Last.fm, Pandora ou iRate.

A estória vem contada, em pormenor, no CiberP@is.

30.10.06

Vídeo no texto da economia

Não é nenhum ovo de Colombo, nem um salto quântico multimédia no ciberjornalismo português. Mas não deixa de ser um passo inteligente por parte do Diário Económico. O vídeo chegou às páginas do DiarioEconomico.com numa altura em que os ciberjornais generalistas continuam a dormir na forma e a investir praticamente zero. Seja no que for.

A ideia é simples: «A partir de hoje, pelo menos três vezes por dia, o Diário Económico vai ser o primeiro jornal português a disponibilizar no seu site comentários económicos em formato de vídeo sobre a actualidade e o dia do mercado bolsista.» (Público)

Implicará esta pequena inovação investimentos gigantescos? Não. Estará tecnicamente apenas ao alcance dos génios do MIT? Nem por sombras.

A partir de hoje, «o cantinho do Diário Económico onde se faz televisão» vai ser usado três vezes por dia. Se a maioria dos ciberjornais quisesse usar a cabeça e tivesse vontade de sair da pasmaceira, faria o mesmo.

27.10.06

Que se passa no Porto?

Se aplicarmos o critério da visibilidade noticiosa do Porto nos principais jornais portugueses, o Porto está morto.

O Porto, cidade e Área Metropolitana, está em morte lenta no Público. Moribundo no DN. Definhando no Expresso. Não existe no Sol. O Correio da Manhã tem mais em que pensar. O 24 Horas é para esquecer.

Só o JN, que tem sofrido na pele das suas páginas sérias queimaduras provocadas pela(o) capital, lá vai aguentando as suas páginas do Grande Porto. Um milagre.

Que se passa? É o péssimo feitio e estreiteza de vistas de Rui Rio? É a sujidade do rio Douro que afugenta as empresas, os "cérebros", os artistas, investidores, as elites, e as entrega nos braços da Quinta da Marinha? É a cidade histórica a cair de podre que deprime o pulsar da urbe? São as crateras lunares das ruas que dão cabo dos Jaguares?

Ou, então: será que no Porto não se passa mesmo nada?

20.10.06

Sol e Expresso: ganha o melhor

Quem já viu a cara do Sol e conhece bem o Expresso (no melhor e pior que tem) não estranhará esta notícia: «A maioria dos leitores portugueses de semanários prefere o Expresso ao novo Sol, segundo um estudo efectuado pela Marktest». (Público)

17.10.06

No Teatro Rivoli

Rui Rio e a Cultura têm umas contas de calculadora a ajustar. Mas isso não irá acontecer nesta vida. O "caso" Rivoli está neste ponto:

«A Câmara Municipal do Porto cortou a iluminação e colocou o ar condicionado no máximo do frio numa tentativa de acabar com o protesto de um grupo de actores e espectadores que se mantêm barricado há mais de 30 horas no Rivoli Teatro Municipal.»

O Publico.pt apanhou bem a polémica no ar e abriu um blogue, o No Teatro Rivoli. A provar que há boas ideias que ficam de graça.

14.10.06

Palmas e Bordoadas: no Sol

A edição de hoje do Sol folheia-se em cinco minutos. Não se pára em nenhum apeadeiro porque não aparece nada verdadeiramente estimulante para ler. No caderno principal, não há 'notícias duras'. Temos o bom velho estilo herdado do Expresso: mexericos políticos de alto nível. Pouco mais. A investigação "a sério" prometida pelo director? Nada. É quase tudo requentado, já visto.

Os colunistas desencorajam. São "cromos" gastos de tanta exposição mediática. A Tabu parece ser dirigida por Margarida Rebelo Pinto, também ela ilustre colunista da casa. Revista frívola. Lux. De Caras. Inenarrável aquela novela dos bastidores da saída de José António Saraiva do semanário de Pinto Balsemão. Por este andar, o Sol arrisca-se a brilhar por pouco tempo. A bem do pluralismo, gostava imenso de me enganar neste pessimista cálculo de risco.

9.10.06

Encontro de Weblogs no Porto

O 3º Encontro Nacional e 1º Encontro Luso-Galaico sobre Weblogs está à porta. Começa na próxima sexta-feira e termina no dia seguinte, no auditório da Reitoria da Universidade do Porto.

A ideia deste encontro, coordenado pelo meu colega Fernando Zamith, é «juntar investigadores, utilizadores e interessados em weblogs em Portugal e na Galiza» e tem como principal objectivo «contribuir para a exploração deste tema e fomentar o desenvolvimento de uma comunidade de reflexão e investigação transdisciplinar nesta área.»

Os principais oradores são José Luis Orihuela, Enrique Dans e Manuel Pinto. O programa pode ser lido aqui.

O encontro é organizado pelo Centro de Estudos das Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação (CETAC.COM) da Universidade do Porto com o apoio da Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação (LJCC) da mesma universidade.


P.S. Declaração de interesses: faço parte das comissões de organização e científica deste encontro.

8.10.06

O futuro dos média hoje

Muito oportuno e bastante acessível, o conjunto de peças que o Público hoje publica sobre os desafios que os média enfrentam é para ler e guardar.

Lead: «Os especialistas estão de acordo: o jornalismo está a sofrer a maior transformação desde a industrialização da imprensa escrita no século XIX. Os desafios são muitos. Há uma avalanche de novas tecnologias que colocam novos desafios à profissão. Os media buscam a estratégia certa para responder a esses desafios. "Convergência" é a palavra-chave».


A ler:
Os media olham o futuro: "O melhor dos tempos e pior dos tempos"

6.10.06

De leituras: Mediatizados

Um tema interessante a pedir leitura urgente: os média contemporâneos estão a moldar as nossas vidas de formas completamente novas? O mundo, como já dizia Shakespeare, é mesmo um grande palco e nós meros actores?

O antropólogo e professor universitário norte-americano Thomas de Zengotita acha que sim. E desenvolve a ideia num livro que acaba de ser publicado: Mediatizados – Como os Média Moldam o Nosso Mundo e o Modo Como Vivemos.

Excerto da sinopse: «Do funeral da princesa Diana à perspectiva do terrorismo à escala global, de cenas de sexo na Sala Oval à política de cowboyada em terras distantes, Mediatizados guia-nos por cada departamento da nossa sociedade intensamente mediatizada. A cada esquina vemo-nos tal qual somos, mergulhados em opções, rodeados por representações e forçados por estas circunstâncias a transformar as nossas vidas em actuações. »

Peter Preston, do Guardian, já leu e gostou. E deixa-nos, a nós, com uma grande vontade de partir para esta leitura.