27.2.07

Volta à Web 2.0 em cinco minutos

Uma viagem audiovisual pela Web 2.0 em menos de cinco minutos. É o que nos propõe Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural na Kansas State University, com o vídeo Web 2.0... The Machine is Us/ing us.

A pequena narrativa que produziu dava perfeitamente para ser exposta num qualquer museu de arte moderna. É para ver, ouvir e ler. Atenção particular à última frase, que nos é apresentada numa espécie de morphing textual: precisamos de repensar a ética, a estética, a identidade, a retórica, os direitos de autor, o governo, a privacidade, o amor, enfim, de nos repensarmos a nós próprios.

É o que se pode chamar um bom momento de Web.

19.2.07

A "notícia" vai ficar confusa...

Steve Outing acha que as filhas dele, na casa dos 20 anos, nunca na vida irão pegar num jornal de papel. Elas, como muitos milhões de jovens por esse mundo fora, estão viciadas nas tecnologias digitais e sentem-se bem com elas.

Por isso, num artigo que escreveu para a Editor & Publisher, Outing diz que os esforços da indústria dos jornais para atrair a juventude estão condenados ao insucesso, uma ideia discutível, mas pertinente.

O problema é que ele é bem capaz de ter razão. Não que os jovens não se interessem por notícias. O que vão é consumir informação de modo diverso, através do telemóvel, do computador e de outros dispositivos digitais online.

Outing perguntou a Robin Sloan, que trabalha na televisão de Al Gore, a Current TV, e é autor do pequeno vídeo EPIC 2015 (que pode ver aqui no Travessias Digitais), como será o consumo das notícias daqui a 5-10 anos. A resposta deixa-nos algumas pistas à consideração:

"I think 'news' just becomes a less distinct category. You don't sit down with a newspaper, or even a news website, or even a super wireless e-paper device, for 10 minutes in the morning to very formally 'get your news.' Rather, you get all sorts of news and information - from the personal to the professional to the political - throughout the day, in little bits and bursts, via many different media. With any luck, in 5-10 years the word 'news' will be sort of confusing: Don't you just mean 'life'?"

17.2.07

As pauladas no DN

Se o DN fosse um animal, a esta hora já estaria morto de tanta pancada levada. Os maus tratos inflingidos nos últimos anos ao título lisboeta deixaram-no com um nível de vendas próximo do paroquial. Nada que não se adivinhasse, tantos os erros cometidos.

O acentuar do desvario, no qual a PT teve um papel nada negligenciável, começou na parte final do "mandato" de Bettencourt Resendes. Os ziguezagues editoriais (um tirinho de referência para aqui, uma piscadela ao popularucho para acolá), fizeram mossa.

Depois, veio a hecatombe de porem um assessor presidencial à frente de um jornal de "referência". O DN deu aí uma machadada brutal no seu nível e envenenou a própria credibilidade. Os directores que seguiram, e que mal tiveram tempo para aquecer a cadeira, herdaram boa parte do presente envenendado por decisões estúpidas e politiqueiras.

O facto de o jornal ter ido parar às mãos de um empresário da bola também não terá abonado grande coisa a favor de uma qualquer reconquista de credibilidade. Ainda assim, Joaquim Oliveira acertou nos nomes para a Direcção, agora demitida em bloco.

Herdeira de um diário comatoso, a equipa liderada por António José Teixeira cometeu um erro estratégico crasso: decidiu apostar quase tudo no reforço da secção de economia, uma área saturada e disputadíssima no mercado. No resto do título, ficou quase tudo na mesma, com a agravante de o jornal se ter acantonado de vez na capital. O Porto e o norte foram praticamente varridos do mapa.

A factura está aí. E devia ser paga por muito boa gente que, nestes anos, se entreteve alegremente a dar facadas no bicho.

Pelos vistos, vem aí mais uma paulada valente, desta vez de cariz... "popular". Golpe de misericórdia?


O DN no Travessias:
O comissariado mata
DN: de mudança em mudança

13.2.07

Vídeo: a próxima fronteira do jornalismo

O jornalista Mark Whitaker, recentemente transferido da Newsweek para o Washington Post para liderar novas iniciativas online, considera o vídeo a «próxima grande fronteira» do jornalismo e vê uma forma a emergir na Web decididamente diferente da televisão. No Post, Whitaker quer agora incorporar vídeo web em todas as plataformas do grupo a que pertence o jornal.

O conhecido bloguista Jeff Jarvis pergunta-lhe se isto do vídeo não passará de uma moda. E como é que vai ser isso do vídeo nos jornais?

10.2.07

Wall Street Journal: copiar e partilhar

O The Wall Street Journal Online já começou a "YouTubizar-se". Criou um menu de vídeos, com temas que vão do imobiliário à moda, que os leitores podem ver directamente na página daquele jornal, enviar por email, copiar o endereço ou mesmo o código que permite mostrar o ecrã, por exemplo, aqui no Travessias Digitais.

O sentido de partilha de conteúdos (vídeos, ficheiros de áudio, fotos, etc.) está a conquistar, a passos largos, terreno na Web. As pessoas apreciam poder partilhar de imediato aquilo que encontram de interessante. Os bloguistas, em particular, incorporam cada vez mais vídeos nos seus blogues. Isso ajuda a explicar o enorme sucesso do YouTube.

Os cibermédia têm tudo a ganhar se souberem captar e incorporar as tendências que se vão afirmando no ciberespaço. Aqui, o Wall Street Journal Online dá um claro sinal de saber para que lado sopram os ventos.

9.2.07

Um novo "P", de Público

Já tive oportunidade de folhear, em papel, o "número zero" do "novo" Público, que sai para as bancas na próxima segunda-feira. Primeiras, e breves, impressões:

Boa primeira página. Logótipo atraente, um grande e vermelho "P" de Público. Acertada a decisão de pôr mais texto na capa. É claro que a cor faz toda a diferença no resto. A fotografia ganha espaço, e muito, e bem. Paginação leve, agradável. Aqui e ali, faz lembrar a do... DN. Boa divisão temática no caderno principal. Mas o Editorial vai continuar a ser, erradamente, assinado e confundido com uma coluna de opinião.

O P2, o novo suplemento, parece responder a uma necessidade imperiosa: a da diversificação de assuntos, área em que os jornais continuam a ser, em geral, muito rígidos. Espera-se que o diário reforce aqui o noticiário de cultura, área em que tem vindo a perder gás.

As minhas primeiras impressões sobre a forma do novo Público são, portanto, positivas, ao contrário do que aconteceu na última grande remodelação, perfeitamente desastrosa. Agora, venha daí melhor conteúdo, pois os tempos não estão fáceis para a imprensa, esse negócio "velhinho" de quatro séculos.

(A versão em pdf do novo Público pode ser vista aqui)

7.2.07

A febre dos blogues em documentário

O documentário não é novo em folha, mas nem por isso perdeu actualidade (no seu eCuaderno, Orihuela recuperou agora o link). Aborda a blogosfera, como espaço de afirmação do chamado "jornalismo do cidadão" e como ferramenta flexível de publicação face aos média tradicionais, entre outras vertentes.

Entre outros, participam Manuel Castells, que nos fala da «comunicação individualizada de massas», e Enrique Dans, um dos oradores do último encontro de blogues, que teve lugar na Universidade do Porto. Para além do mais, Blogs. La fiebre de los diarios en la red (2005) são 20 minutos com grande interesse pedagógico.


1.2.07

Público no YouTube

O Público, que no próximo dia 12 nos vai aparecer nos quiosques de cara nova, teve uma boa ideia: resolveu colocar no YouTube (onde cada vez mais está todo o cibermundo...) dois curtos teasers que fazem parte da campanha de marketing para a mudança que se avizinha. Um deles é este:

28.1.07

'Mediamorfose' no Travessias

O meu vestusto blogue generalista, o Travessias, está em plena mediamorfose experimental (o Roger Fidler que me perdoe o exagero...). O texto é cada vez mais acompanhado de fotografia e vídeo, graças à ajuda do YouTube, Google Video e quejandos. Portanto, está a transformar-se num híbrido, algures entre o blogue, o fotoblogue e o videoblogue.

Quando se fala de música ou de cinema, por exemplo, aqueles sites de vídeo têm material fabuloso, recente ou antigo, que pura e simplesmente não "passa" nos nossos canais de televisão. Frank Zappa a gravar em estúdio em 1968? Um excerto do filme Caravaggio, de Derek Jarman? O trailer de Citizen Kane? A Laurie Anderson a contar uma das suas mirabolantes histórias? O Rufus a cantar uma música dos Beatles? O Antony ao vivo num programa de TV em dueto com Boy George? As CocoRosie ao vivo algures nos EUA? Foucault em amena cavaqueira filosófica com Chomsky?

Os canais de televisão tradicionais (generalistas e temáticos, sem excepção) deviam estar mais atentos ao que se está a passar em termos de "televisão" online. Para já, a reacção generalizada parece ser em tudo idêntica à que assistimos em 1995, 1996, quando a Internet começou a instalar-se: desprezo, menorização, desvalorização, etc.. Em geral, os média portugueses estranham muito e entranham pouco. E a muito custo.

24.1.07

Como serão as notícias em 2015?

Robin Sloan e Matt Thompson produziram este filme online, em Flash, para o Museum of Media History. A primeira versão mostrava a «futura história dos media» até 2014. A que se pode ver neste vídeo vai até 2015. Como estará o Google nessa altura? O New York Times ainda existirá em papel? Um interessante exercício de prospectiva, em 8 minutos.

22.1.07

Adeus Gutenberg

Tem muito que ler, e que ver, o mais recente volume de Nieman Reports. É sobre o impacto da Web e outras tecnologias no jornalismo. Título: Goodbye Gutenberg, que é como quem diz:

«Journalism is on a fast-paced, transformative journey, its destination still unknown. That the Web and other media technologies are affecting mightily the practice of journalism is beyond dispute. Less clear is any shared vision of what the future holds. Newsrooms are being hollowed out, and editors who resist such cutbacks are losing their jobs. Digital video cameras and tape recorders replace reporters' notebooks as newspapers—and other news organizations—train staff in multimedia storytelling.»

Vale ainda a pena ver a Newspaper Gallery, com fotos valiosas sobre a imprensa que atravessam todo o século XX.

(dica de Ponto Media)

19.1.07

Magnum: fotografia multimédia

A fotografia já não é o que era. Passou do rolo, dos líquidos à temperatura certa, da sala escura de luz vermelha, do encanto de ver a imagem surgir devagar no papel brilhante e molhado, para a flexibilidade asséptica e total dos bits.

Mas a revolução não se fica por aqui. Prossegue a metamorfose digital. Uma fotografia pode já não ser apenas uma fotografia. Pode ter som de fundo, ruídos, música ambiente, imagens de televisão entrecortadas. Fotografia multimédia?

No site da celebérrima agência Magnum podemos tirar o pulso a estes novos e fascinantes caminhos da fotografia. Por exemplo, vendo o ensaio M*A*S*H Iraq, do fotógrafo Thomas Dworzak.


13.1.07

Jornalismo: o emprego que se segue

Escreve a Mindy McAdams no seu blogue: «If a student in a j-school today thinks it is okay NOT to learn how to make Web pages, NOT to shoot video, NOT to gather audio, NOT to read and write blogs - then that student is not getting a message that is very, very necessary.»

Que é como quem diz, os estudantes de jornalismo, em vez de teimarem em querer preparar-se apenas para o jornalismo do presente (passado?), devem encarar os desafios que o futuro (que já começou há algum tempo...) lhes coloca, sobretudo em termos tecnológicos, leia-se, multimédia.

Aos meus alunos, e não só, recomendo vivamente a leitura do post Getting (and keeping) a job in journalism.

12.1.07

Multimédia na Renascença

As notícias sobre ciberjornalismo nos média nacionais são de tal modo escassas que é de celebrar quando uma consegue ver a luz do dia. É o caso desta: o site da Rádio Renascença começou a apostar no vídeo.

Se tivermos em conta o que por esse mundo civilizado fora se faz hoje ao nível do multimédia noticioso, este é um pequeno passo. Mas se olharmos para a pobre evolução dos média online portugueses, que continuam à espera que Godot lhes bata à porta, trata-se de uma iniciativa relevante.

Ainda para mais quando os ciberjornais portugueses revelam uma enorme dificuldade em sair das suas "matérias-primas" originais (texto nos jornais, som na rádio, vídeo nas televisões) para se multimedializarem.

Dizer que fazer isto fica muito caro ou exige enormes "recursos humanos" é falso e apenas mascara a falta de visão e arrojo por parte das empresas jornalísticas. Há pequenos passos que se podem dar com câmaras de vídeo de 500 euros (a Renascença fá-lo, como explica hoje ao Público o chefe de redacção Pedro Leal) ou até usando software fácil e barato para produzir, por exemplo, slideshows de áudio.

Veja-se o caso do Soundslides. Com esta ferramenta, feita sobretudo para jornalistas, fica quase de borla fazer pequenos brilharetes como este.

4.1.07

Debate "tonto" está para durar

Robert Niles, editor da Online Journalism Review, abre o novo ano com um convite razoável: vamos acabar para sempre com o debate «mais tonto e destruidor» no jornalismo que é o do "jornalismo mainstream" versus "jornalismo do cidadão" e trabalhar todos para um "melhor jornalismo".

Até aqui, de acordo. Mas, logo a seguir, Niles abre a caixa de Pandora de novo, atirando com uma frase que dá pano para mangas de resmas de debate: «Jornalismo é jornalismo, não importa quem o faz, ou onde.» Vai uma aposta que não é bem assim?


A ler (e debater):
The silliest, and most destructive, debate in journalism