13.3.07

Que diria McLuhan sobre o YouTube?

Há dias, a propósito da ascenção do "egopublishing", escrevia aqui que, «se fosse vivo, McLuhan teria, talvez, de fazer umas reconsiderações quanto à sua célebre frase "o meio é a mensagem". Talvez mudasse para algo do género: "a mensagem sou eu".»

Nem de propósito, encontrei no YouTube um pequeno vídeo cujo título é "Marshall McLuhan on YouTube". Alguém tentou imaginar o que diria este teórico a propósito do fenómeno da partilha de vídeo na Web. Vale pela curiosidade e, em particular, pelo que McLuhan diz quase no final: para a maior parte das pessoas, viver na crista da onda das novas tecnologias é uma experiência aterradora. A maior parte prefere viver um pouco atrás.

10.3.07

Jornais entre o papel e o vídeo

Os jornais, com destaque para os diários, estão numa fase da sua história em que têm de fazer pela vida. Ou seja, têm de reinventar-se de modo a enfrentarem o turbilhão de desafios, sobretudo os colocados pela Internet, que se sucedem em catadupa.

As inovações são quase diárias. Por exemplo, o The Guardian decidiu redesenhar a sua estratégia online, apostando no reforço do fluxo noticioso na Web, oferecendo notícias 24 horas por dia, sete dias por semana, em vez de 16 horas, cinco dias. Porque, como explicam os responsáveis do jornal, os utilizadores da Web esperam ler as notícias no momento em que acontecem. «Se não actualizarmos o nosso site continuamente, os leitores irão para outro lado.» Os 20 princípios que norteiam esta mudança de estratégia podem ser lidos no Jornalismo & Internet.

No New York Times, a aposta é agora no aumento da oferta de conteúdos em vídeo. O mês passado, estreou os "vídeo-obituários", explicados assim: «The idea is to video extensive interviews with all types of notable people while they are still alive with the understanding that everything they say will be embargoed until they die.» Um dos estreeantes desta modalidade foi o colunista Art Buchwald, falecido há cerca de um mês. No seu "vídeo-obituário", registou: «Olá, sou o Art Buchwald e acabei de morrer.» Se achar isto estranho, leia aqui as explicações de Vivian Schiller, manager do NYTimes. com.

O Daily Telegraph
lançou, este mês, um novo serviço de televisão. À hora de almoço, oferece um briefing online sobre negócios.

O tempo do "papel e caneta" nos jornais está, definitivamente, a passar à história.


6.3.07

"Egopublishing": os egos publicam-se

O meio "sou eu", "e eu, "e eu" e por aí fora. No Ciberpaís, pode ler-se uma reportagem sobre o egopublishing, um neologismo a juntar às torrentes que a Web tem gerado. Há muitos cibernautas que têm hoje o seu "canal de televisão" ou a sua "rádio" online. E respectivas audiências.

Se fosse vivo, McLuhan teria, talvez, de fazer umas reconsiderações quanto à sua célebre frase "o meio é a mensagem". Talvez mudasse para algo do género: "a mensagem sou eu".

2.3.07

The Newsroom: uma espécie de "NewsTube"

A Associated Press juntou-se à Voxant para fazer com notícias aquilo que o YouTube está a fazer com todo o tipo de temas: permitir a disseminação "viral" de vídeos em blogues ou sites. O lema da Voxant é: «Fast Forwarding Online News».

Desta parceria empresarial nasceu o projecto de The Newsroom, cujo vídeo de apresentação pode ser visto aqui. Neste site estão agregadas notícias (vídeo, áudio, fotos) da Associated Press e da Reuters, entre outras agências, cujo código pode ser copiado para os nossos blogues. Um exemplo:

1.3.07

Travessias

Últimas do Travessias: o cinema de Kieslowski, Baz Luhrmann e Almodóvar; a música de McCoy Tyner, Arvo Pärt, Rufus Wainwright, Cocteau Twins, Lhasa de Sela, Händel, Farinelli, The Police, Miles Davis; a dança de Miguel Robles e Pina Bausch.

Nostalgia Internet

A CBC, cadeia de televisão canadiana, explicava aos seus telespectadores, no início da década de 90, o «fenómeno crescente» da Internet. Tudo era trocado por muitos miúdos. Vemos mesmo o repórter explicar o significado dos emoticons mais elementares. Na altura, a rede, referida como «outro mundo», contava 15 milhões de utilizadores. Eis uma boa peça de arqueologia ciberespacial.

27.2.07

Blinkx: sete milhões de horas vídeo

A Blinkx, uma ferramenta de pesquisa de vídeo na Web, tem indexadas sete milhões de horas de vídeo. A empresa acaba de fazer um acordo com o New York Times para indexar todos os vídeos publicados pelo jornal nova-iorquino.

A videowall interactiva que se segue resulta de uma pesquisa feita por "zappa". Resultado: 343 entradas para vídeos (os do YouTube também aparecem) relacionados com este músico norte-americano.

Volta à Web 2.0 em cinco minutos

Uma viagem audiovisual pela Web 2.0 em menos de cinco minutos. É o que nos propõe Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural na Kansas State University, com o vídeo Web 2.0... The Machine is Us/ing us.

A pequena narrativa que produziu dava perfeitamente para ser exposta num qualquer museu de arte moderna. É para ver, ouvir e ler. Atenção particular à última frase, que nos é apresentada numa espécie de morphing textual: precisamos de repensar a ética, a estética, a identidade, a retórica, os direitos de autor, o governo, a privacidade, o amor, enfim, de nos repensarmos a nós próprios.

É o que se pode chamar um bom momento de Web.

19.2.07

A "notícia" vai ficar confusa...

Steve Outing acha que as filhas dele, na casa dos 20 anos, nunca na vida irão pegar num jornal de papel. Elas, como muitos milhões de jovens por esse mundo fora, estão viciadas nas tecnologias digitais e sentem-se bem com elas.

Por isso, num artigo que escreveu para a Editor & Publisher, Outing diz que os esforços da indústria dos jornais para atrair a juventude estão condenados ao insucesso, uma ideia discutível, mas pertinente.

O problema é que ele é bem capaz de ter razão. Não que os jovens não se interessem por notícias. O que vão é consumir informação de modo diverso, através do telemóvel, do computador e de outros dispositivos digitais online.

Outing perguntou a Robin Sloan, que trabalha na televisão de Al Gore, a Current TV, e é autor do pequeno vídeo EPIC 2015 (que pode ver aqui no Travessias Digitais), como será o consumo das notícias daqui a 5-10 anos. A resposta deixa-nos algumas pistas à consideração:

"I think 'news' just becomes a less distinct category. You don't sit down with a newspaper, or even a news website, or even a super wireless e-paper device, for 10 minutes in the morning to very formally 'get your news.' Rather, you get all sorts of news and information - from the personal to the professional to the political - throughout the day, in little bits and bursts, via many different media. With any luck, in 5-10 years the word 'news' will be sort of confusing: Don't you just mean 'life'?"

17.2.07

As pauladas no DN

Se o DN fosse um animal, a esta hora já estaria morto de tanta pancada levada. Os maus tratos inflingidos nos últimos anos ao título lisboeta deixaram-no com um nível de vendas próximo do paroquial. Nada que não se adivinhasse, tantos os erros cometidos.

O acentuar do desvario, no qual a PT teve um papel nada negligenciável, começou na parte final do "mandato" de Bettencourt Resendes. Os ziguezagues editoriais (um tirinho de referência para aqui, uma piscadela ao popularucho para acolá), fizeram mossa.

Depois, veio a hecatombe de porem um assessor presidencial à frente de um jornal de "referência". O DN deu aí uma machadada brutal no seu nível e envenenou a própria credibilidade. Os directores que seguiram, e que mal tiveram tempo para aquecer a cadeira, herdaram boa parte do presente envenendado por decisões estúpidas e politiqueiras.

O facto de o jornal ter ido parar às mãos de um empresário da bola também não terá abonado grande coisa a favor de uma qualquer reconquista de credibilidade. Ainda assim, Joaquim Oliveira acertou nos nomes para a Direcção, agora demitida em bloco.

Herdeira de um diário comatoso, a equipa liderada por António José Teixeira cometeu um erro estratégico crasso: decidiu apostar quase tudo no reforço da secção de economia, uma área saturada e disputadíssima no mercado. No resto do título, ficou quase tudo na mesma, com a agravante de o jornal se ter acantonado de vez na capital. O Porto e o norte foram praticamente varridos do mapa.

A factura está aí. E devia ser paga por muito boa gente que, nestes anos, se entreteve alegremente a dar facadas no bicho.

Pelos vistos, vem aí mais uma paulada valente, desta vez de cariz... "popular". Golpe de misericórdia?


O DN no Travessias:
O comissariado mata
DN: de mudança em mudança

13.2.07

Vídeo: a próxima fronteira do jornalismo

O jornalista Mark Whitaker, recentemente transferido da Newsweek para o Washington Post para liderar novas iniciativas online, considera o vídeo a «próxima grande fronteira» do jornalismo e vê uma forma a emergir na Web decididamente diferente da televisão. No Post, Whitaker quer agora incorporar vídeo web em todas as plataformas do grupo a que pertence o jornal.

O conhecido bloguista Jeff Jarvis pergunta-lhe se isto do vídeo não passará de uma moda. E como é que vai ser isso do vídeo nos jornais?

10.2.07

Wall Street Journal: copiar e partilhar

O The Wall Street Journal Online já começou a "YouTubizar-se". Criou um menu de vídeos, com temas que vão do imobiliário à moda, que os leitores podem ver directamente na página daquele jornal, enviar por email, copiar o endereço ou mesmo o código que permite mostrar o ecrã, por exemplo, aqui no Travessias Digitais.

O sentido de partilha de conteúdos (vídeos, ficheiros de áudio, fotos, etc.) está a conquistar, a passos largos, terreno na Web. As pessoas apreciam poder partilhar de imediato aquilo que encontram de interessante. Os bloguistas, em particular, incorporam cada vez mais vídeos nos seus blogues. Isso ajuda a explicar o enorme sucesso do YouTube.

Os cibermédia têm tudo a ganhar se souberem captar e incorporar as tendências que se vão afirmando no ciberespaço. Aqui, o Wall Street Journal Online dá um claro sinal de saber para que lado sopram os ventos.

9.2.07

Um novo "P", de Público

Já tive oportunidade de folhear, em papel, o "número zero" do "novo" Público, que sai para as bancas na próxima segunda-feira. Primeiras, e breves, impressões:

Boa primeira página. Logótipo atraente, um grande e vermelho "P" de Público. Acertada a decisão de pôr mais texto na capa. É claro que a cor faz toda a diferença no resto. A fotografia ganha espaço, e muito, e bem. Paginação leve, agradável. Aqui e ali, faz lembrar a do... DN. Boa divisão temática no caderno principal. Mas o Editorial vai continuar a ser, erradamente, assinado e confundido com uma coluna de opinião.

O P2, o novo suplemento, parece responder a uma necessidade imperiosa: a da diversificação de assuntos, área em que os jornais continuam a ser, em geral, muito rígidos. Espera-se que o diário reforce aqui o noticiário de cultura, área em que tem vindo a perder gás.

As minhas primeiras impressões sobre a forma do novo Público são, portanto, positivas, ao contrário do que aconteceu na última grande remodelação, perfeitamente desastrosa. Agora, venha daí melhor conteúdo, pois os tempos não estão fáceis para a imprensa, esse negócio "velhinho" de quatro séculos.

(A versão em pdf do novo Público pode ser vista aqui)

7.2.07

A febre dos blogues em documentário

O documentário não é novo em folha, mas nem por isso perdeu actualidade (no seu eCuaderno, Orihuela recuperou agora o link). Aborda a blogosfera, como espaço de afirmação do chamado "jornalismo do cidadão" e como ferramenta flexível de publicação face aos média tradicionais, entre outras vertentes.

Entre outros, participam Manuel Castells, que nos fala da «comunicação individualizada de massas», e Enrique Dans, um dos oradores do último encontro de blogues, que teve lugar na Universidade do Porto. Para além do mais, Blogs. La fiebre de los diarios en la red (2005) são 20 minutos com grande interesse pedagógico.


1.2.07

Público no YouTube

O Público, que no próximo dia 12 nos vai aparecer nos quiosques de cara nova, teve uma boa ideia: resolveu colocar no YouTube (onde cada vez mais está todo o cibermundo...) dois curtos teasers que fazem parte da campanha de marketing para a mudança que se avizinha. Um deles é este: