31.1.08

Diário Económico converge

O Diário Económico prepara-se para, nos próximos meses, apostar na convergência. As redacções online e tradicional serão fundidas e todos os jornalistas contribuirão para a edição do jornal na Web.

A aposta, explicou o director, André Macedo, à Meios & Publicidade, é «permitir ao jornal reflectir na internet a grande equipa de jornalistas que tem, a capacidade em conseguir notícias.»

O DE segue, assim, o caminho que outros média nacionais já percorrem há algum tempo, como é o caso, por exemplo, do Expresso e da SIC.


A ler:
Diário Económico lança novas secções e reformula online
Convergência multimédia na SIC
O Diário Económico no Travessias Digitais

25.1.08

A estrear proximamente num jornal perto de si

Na Online Journalism Review, Jena Yung faz a pergunta: estão os jornais tradicionais prontos para aprender alguma coisa com Hollywood? Alguns já aprenderam.

Depois de estrearem certas reportagens nos seus sites, o Dallas Morning News e o St. Petersburg Times produziram trailers, semelhantes aos do cinema, e colocaram-nos no YouTube. O objectivo é simples: atrair leitores para os trabalhos jornalísticos.

A segunda pergunta de Yung: no futuro, iremos ao YouTube para saber o que vai estrear proximamente num jornal.com perto de nós?


A ler:
Newspapers use YouTube video previews to attract readers

21.1.08

Reuters impulsiona vídeo no ciberjornalismo


O passo que a Reuters está prestes a dar pode muito bem criar condições para a expansão do vídeo em publicações noticiosas na Web, tendência que tem vindo a consolidar-se nos últimos tempos.

A agência de informação britânica prepara-se para disponibilizar 13 mil vídeos, com 125 a serem adicionados diariamente, a empresas jornalísticas, que pagarão o material consoante o tráfego gerado.

É sabido que a produção de vídeo noticioso de qualidade na Web não fica barata às empresas (os jornais têm aqui, naturalmente, dificuldades acrescidas), que, no entanto, começam a perceber as vantagens comerciais que podem advir da aposta nesta modalidade. Daí que, como nota Andy Plesser, obter, atempadamente, material de qualidade possa significar um grande desenvolvimento para as empresas, que podem comercializar anúncios à volta dos vídeos.

A Reuters, recorde-se, já permite o embebimento gratuito de vídeos a partir do seu próprio site.

15.1.08

Do "web vídeo" para a televisão

É curioso ver como os ciberjornais começam a deixar de falar em "Web vídeo" e, sem complexos, adoptam "Web TV". Os jornais estão a entrar no mundo da televisão. Caso mais recente: o Daily Telegraph vai estrear sete "programas de TV" no seu site.

Mas, se formos ao Expresso online, já temos o Expresso TV. No ELPAÍS.com, o ELPAÍSTV. No Telegraph, o Telegraph TV. A palavra "TV", em vez de "vídeo", faz aqui toda a diferença, também em termos semânticos.

Nos casos do Telegraph e do ELPAÍS, que, note-se, estão ainda longe de constituir a maioria, o visionamento online assemelha-se à experiência de assistir a um telejornal: as peças em vídeo disponíveis sucedem-se. A diferença é que não há (por enquanto...) um pivot para fazer as ligações.

Se a moda pega, para quê ligar a TV?

12.1.08

MSNBC.com liberta vídeos


Todos os vídeos do MSNBC.com podem agora ser mostrados em qualquer sítio ou blogue. Basta copiar o código, como se faz no YouTube. É a primeira vez que, nos EUA, uma cadeia nacional de televisão disponibiliza clips que toda a gente pode mostrar nas suas páginas próprias. O salto, muito significativo, é acompanhado da estreia de um novo (e bastante convincente, diga-se de passagem) player de vídeo. A forma como o msnbc.com dispõe o menu dos vídeos é igualmente eficaz.

O msnbc.com junta-se assim a um grupo ainda restrito de ciberjornais que permite o embebimento da sua produção em vídeo. Tudo leva a crer que esta tendência se aprofunde no decorrer de 2008.


6.1.08

Castells: "o poder tem medo da Internet"

«Porque Internet es un instrumento de libertad y de autonomía, cuando el poder siempre ha estado basado en el control de las personas, mediante el de información y comunicación. Pero esto se acaba. Porque Internet no se puede controlar.

Manuel Castells, em entrevista a El País

31.12.07

Sobreconsumo de celebróides

«Os Gregos consideravam que os deuses deploravam as manifestações de triunfo e os grandes sucessos que levavam os homens a transpor a sua condição de mortais. Por sua vez, os meios de comunicação social hipermodernos dão um relevo sem precedente aos olimpianos (estrelas de cinema, top models, playboys, desportistas, multimilionários, etc.) que parecem viver num plano superior da existência. Actualmente, já não consumimos apenas coisas, mas sobreconsumimos o espectáculo hiperbólico da felicidade das personagens celebróides.»


Gilles Lipovestky, A Felicidade Paradoxal

29.12.07

Últimos momentos de Bhutto partilhados

As imagens dos momentos que antecederam o assassínio de Benazir Bhutto remetem-nos para o célebre vídeo de Zapruder, que captou, "em directo", a morte do presidente Kennedy.

Hoje, o vídeo dos instantes finais de Bhutto corre o mundo num ápice e propaga-se na Web graças, também, à ajuda de uma modalidade em crescimento: a partilha, facilitada pela abertura do código que permite fazer o embebimento de vídeos em sítios e blogues.

Pela primeira vez durante um grande acontecimento noticioso, assinala Andy Plesser, vídeos criados pela Reuters e outras empresas jornalísticas de peso (Washington Post e Wall Street Journal, por exemplo) estão a ser "partilhados" através do embed, à boa moda do YouTube.

Deste modo, material tipicamente jornalístico extravasa, de forma legal, para um vasto número de sítios não-jornalísticos. O vídeo do assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão constitui, por isso, um marco no percurso dos média online.

28.12.07

O ardina electrónico

Numa altura em que abundam os móveis e telemóveis prognósticos tecnológicos para 2008, e em que a imprensa parece uma barata tonta com a pancada dada pelos gratuitos, nada como embelezar a memória relembrando um exercício prospectivo feito, há 37 anos, pelos japoneses da Toshiba.

«Será desta maneira que vai receber o seu jornal no futuro?» A imagem mostra um jornal de papel a sair do interior de uma caixa parecida com um rádio.

É uma pequena pérola esta foto, datada de 1970. O «ardina electrónico» era mais prosaicamente identificado como «facsimile receiver». Imprimia ambos os lados da folha simultaneamente em seis minutos.

Quase quatro décadas depois, ainda andamos às voltas com ciberquiosques e «ardinas electrónicos» a fornecerem-nos os jornais na Web em formato PDF para imprimir.

21.12.07

Ciberjornalismo em Portugal 2007

2007 não foi um ano de boa colheita para o ciberjornalismo em Portugal. No essencial, confirmou a relativa estagnação, em termos de investimento e inovação, vivida após o "boom" registado na viragem do século. Ainda assim, algumas marcas merecem registo.

O Público.pt foi, de novo, o que mais se destacou pela positiva. Fez uma remodelação gráfica significativa e apostou no vídeo, criando, para o efeito, uma pequena equipa. Nas restantes edições online dos principais diários nacionais, o panorama manteve-se, a todos os títulos, deprimente.

O Expresso online fez algumas mudanças. O grafismo melhorou. A aposta no vídeo (Expresso TV) foi feita, ainda que de forma limitada. A interacção com os leitores foi fomentada. Notou-se preocupação em reforçar a componente multimédia.

Da SIC, também do grupo Impresa, vieram sinais claros de aposta na convergência, numa lógica de integração de redacções, televisiva e online. A nível internacional, a convergência deu muito que falar, dividindo analistas quanto aos prós e contras da tendência. Mas, tal como o vídeo, parece ter vindo para ficar. A rádio começou a perceber isto. Logo no início do ano, o site da Rádio Renascença começara a incorporar vídeo.

No Diário Digital, houve uma discreta mudança de director: Pedro Curvelo substituiu Filipe Rodrigues da Silva. O jornal anunciou, para Janeiro, novas secções e o reforço dos conteúdos informativos da área desportiva e económica e da área dedicada aos utilizadores. O concorrente mais directo, o PortugalDiário, está, há muito tempo, na mesma.

Esperemos, pois, que 2008 sirva para dar a volta ao generalizado estado de penúria ciberjornalística nacional. Mesmo assim, já vamos chegar tarde ao futuro.

13.12.07

Novas técnicas, novas frustrações

«Depois da explosão da Internet, tudo se acalmará porque o dia tem 24 horas e as necessidades de comunicação do ser humano não se satisfazem completamente. Vamos atrás de um sonho. A comunicação humana é difícil e é um erro pensar que só a técnica ajudará a melhorá-la. Não é verdade. Criamos novas técnicas e nascem novas frustrações sobre as nossas expectativas de comunicação.»

Dominique Wolton, Ciberp@ís

Travessias na memória sobre Dominique Wolton:
Ser individual
Pensar a técnica


12.12.07

Jornalismo móvel extremo

Uma jornalista alemã tem estado a fazer, para o jornal Die Welt, a cobertura jornalística multimédia de uma regata transatlântica. Joerdis Guzman usa apenas um computador portátil, uma pequena câmara de vídeo e um telefone-satélite rudimentar.

Por isso, há já quem fale em "jornalismo móvel extremo". É o caso de Robb Montgomery, da Visual Editors, que considera este um bom exemplo de uma estória multimédia porque, usando ferramentas básicas da Web, o jornalista faz com que a audiência acompanhe a par e passo a corrida.

Montgomery explica, com recurso a um vídeo do Google Earth, esta cobertura jornalística extremamente móvel:


A ler:
Extreme mobile journalism

7.12.07

Jornalistas, fontes e a Internet

O jornalista Rui Gomes defendeu, anteontem, na Universidade Nova de Lisboa, a sua tese de mestrado (que tive o prazer de arguir), intitulada A importância da Internet no relacionamento entre jornalistas e fontes de informação.

O tema é bastante interessante e pouco estudado em Portugal. Rui Gomes procurou saber como a Internet está a ser usada por jornalistas portugueses de imprensa, rádio e televisão. Chegou a algumas conclusões que vale a pena reter:

* A quase totalidade dos jornalistas inquiridos tem uma opinião «extremamente positiva» sobre a Internet, o que leva, segundo o autor do estudo, a uma visão «cor-de-rosa» do meio e a uma confiança excessiva no material encontrado online.

* Quase 90 por cento dos jornalistas inquiridos utilizam a Internet nas suas peças jornalísticas. O uso é menor por parte dos jornalistas de televisão.

* O email é utilizado por 72.83 por cento como ferramenta para encontrar e contactar fontes de informação.

* A maioria considera que a Internet facilita o seu trabalho, melhora a qualidade do mesmo e torna as notícias mais diversas.

* A facilidade de contacto com fontes é uma das vantagens da utilização da Internet destacadas com particular relevo na imprensa.

* Os newsgroups são pouco utilizados pelos jornalistas dos três meios, enquanto os blogues são mais utilizados pelos jornalistas de imprensa.

* Os jornalistas de imprensa defendem que a fixação dos jornalistas nas redacções é um facto (sedentarização do jornalismo, tendência que preocupa Rui Gomes), enquanto os jornalistas de rádio discordam totalmente.


A tese, na qual Rui Gomes defende que «a Internet mudou a forma como se faz jornalismo e a própria profissão», irá agora ser publicada em livro.

6.12.07

Caras e claras

A vedetização, "jetsetização" e transformação de jornalistas em objectos de marketing é um dos fenómenos mais repelentes do jornalismo contemporâneo.

2.12.07

Um Kindle para ler

A Amazon desenvolveu um dispositivo de leitura de livros, revistas, jornais e blogues. Talvez por isso seja um pouco redutor chamar-lhe e-book. O Kindle herda parte da (longa) investigação feita no campo dos livros electrónicos, mas vai mais longe.

O vídeo promocional sobre o Amazon Kindle é bastante convincente (e a infografia digital publicada hoje no ELPAÍS.com dá uma boa ajuda). Mas, como a história das novas tecnologias nos ensina, nem sempre as boas ideias vencem na prática.

Não obstante, o Kindle, potenciando várias tecnologias hoje consolidadas, como é o caso das redes móveis, constitui, no mínimo, um excelente exercício prospectivo do acto de ler.



Travessias na memória:
Dois jornais para o próximo milénio
A tinta que não pinta
O livro do desassossego