16.3.08

Média ganham norte

Não serei aqui o juiz mais isento, uma vez que se trata de trabalho produzido por alunos que conheço de perto, mas acho que vale mesmo a pena espreitar as peças que fizeram no JPN (ciberjornal do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto) sobre mudanças nos média a norte do país: nascimento da RNTV, reforço no Rádio Clube Português, o desafio dos gratuitos:

Media: Mudanças a Norte


15.3.08

Correio da Manhã a caminho da convergência

Na próxima quarta-feira, data em que assinala o 29º aniversário, o Correio da Manhã estreia um novo visual, com uma «nova hierarquização de assuntos». Será também introduzida uma área de vídeos e um fórum de discussão diária, de modo a promover mais a «interactividade junto dos leitores».

Estas mudanças são de aplaudir, uma vez que, quer ao nível de vídeo, quer em termos de interactividade, a generalidade dos media online noticiosos portugueses é muito fraca. Veremos se há um reforço da equipa online, actualmente composta por apenas quatro jornalistas, que permita levar a bom porto esta aposta. É que, por exemplo, a produção própria de Web-vídeo não é compatível com equipas tão pequenas.

O diário da Cofina parece também decidido a acompanhar os ventos que sopram a favor da convergência: «toda a redacção vai passar a estar envolvida na produção noticiosa para a plataforma online, que terá actualizações constantes durante o dia.» (Meios & Publicidade). Cá estaremos para ver os resultados.

2.3.08

Entrevista em O Lago II

No blogue O Lago, entrevista (versão completa) que concedi a Alexandre Gamela.

Sobre o défice crítico em relação à Internet

Mesmo antes de se passar à leitura da sua argumentação, Lee Siegel, autor do livro, a contracorrente, Against the Machine, tem razão na formulação a priori: faltam ideias que escapem ao "pensamento único" sobre a Internet.

A discussão fica para mais tarde. Para já, algumas frases da entrevista, publicada no último suplemento Digital, do Público, e cuja leitura é obrigatória:

«Todos sabemos como a Internet é óptima, mas ninguém quer falar sobre o seu lado negro. Ninguém fala sobre a Internet no contexto da cultura e da sociedade.»

«Os sites dos jornais têm todos listas das notícias mais enviadas por email, as mais populares, as mais "blogadas"... mas as notícias mais importantes não são necessariamente as mais populares (...). Agora, a pressão dos leitores está a dar cabo do discernimento dos editores sobre o que é popular e o que é importante.»

«É preciso que os jornais contratem gente para fazer crítica da Internet. É preciso estigmatizar alguns comportamentos nocivos, como o anonimato malicioso. É preciso que as pessoas falem disto.»

É preciso, sim senhor.

23.2.08

Tecnodependências

Convém, sempre, estarmos atentos (e vigilantes, se for caso disso) ao que as tecnologias vão provocando e mudando nos comportamentos, pois não há nada mais nocivo que uma utilização distraída ou acéfala das mesmas:

«Uma investigadora britânica desenvolveu um estudo relacionado com as consequências que a dependência de alguns dispositivos cria nos utilizadores. Nada Kakabadse alerta para o facto de aparelhos como os smartphones estarem a «controlar» cada vez mais os utilizadores» (Sol).

21.2.08

Aproximações ao jornalismo digital

Acaba de ser lançado em Espanha um livro do maior interesse para quem se interessa pelo estudo do ciberjornalismo (e todos nós sabemos que livros sobre este tema não são publicados propriamente todas as semanas).

Vários dos autores que contribuem com os seus textos para Aproximaciones al periodismo digital contam-se entre os principais investigadores espanhóis nesta área, como Xosé López, Marita Otero, Xosé Pereira, Manuel Gago ou Koldobika Meso Ayerdi.



11.2.08

Máquinas passivas

«O impacto verdadeiramente inquietante dos novos media não reside tanto no facto de as máquinas nos arrancarem a parte activa do nosso ser, mas, precisamente, e de forma oposta, no facto de as máquinas digitais nos privarem da dimensão passiva da nossa vivência: elas são passivas "por nós"».

Slavoj Žižek, A Subjectividade por Vir

3.2.08

Sobre este ofício do jornalismo

A julgar pela pré-publicação que o Público faz hoje, Os Cínicos não Servem para Este Ofício, do escritor e jornalista polaco Ryszard Kapuscinski, é um livro indispensável a jornalistas, académicos e estudantes de jornalismo.

O livro é baseado em entrevistas e conversas sobre a profissão de jornalista e o mundo dos meios de comunicação. Em Kapuscinski, reencontramos uma certa essência do jornalismo, numa era marcada por mutações aceleradas na profissão e, sejamos claros, pela perda de algum norte. Algumas passagens a reter:

«O jornalismo está a atravessar uma grande revolução electrónica. As novas tecnologias facilitam enormemente o nosso trabalho, mas não o substituem. Todos os problemas da nossa profissão, as nossas qualidades, a nossa manualidade, permanecem inalterados. Qualquer descoberta ou melhoramento técnico pode certamente ajudar-nos, mas não pode substituir o nosso trabalho, a nossa dedicação ao mesmo, o nosso estudo, a nossa investigação e pesquisa.»

«No jornalismo, ao invés, a actualização e o estudo constantes são a conditio sine qua non. O nosso trabalho consiste em indagar e em descrever o mundo contemporâneo que está em permanente, profunda, dinâmica e revolucionária transformação. De um dia para o outro, temos de acompanhar tudo isto e ser capazes de prever o futuro. Por isso, é necessário aprender e estudar constantemente.»

«Encontram-se muitos jovens jornalistas cheios de frustrações por trabalharem muito em troca de um salário tão baixo, depois perdem o emprego e, se calhar, não conseguem encontrar outro. Tudo isto faz parte da nossa profissão. Por isso sejam pacientes e trabalhem. Os nossos leitores, ouvintes e telespectadores são pessoas muito justas que rapidamente reconhecem a qualidade do nosso trabalho e, com igual rapidez, começam a associá-lo ao nosso nome; sabem que esse jornalista lhes dará um bom produto. É a partir dessa altura que nos tornamos jornalistas estáveis. Não será o nosso director a decidi-lo, mas sim os leitores. Contudo, para chegar até aqui são necessárias as qualidades de que falei no início: espírito de sacrifício e estudo contínuo.»

31.1.08

Diário Económico converge

O Diário Económico prepara-se para, nos próximos meses, apostar na convergência. As redacções online e tradicional serão fundidas e todos os jornalistas contribuirão para a edição do jornal na Web.

A aposta, explicou o director, André Macedo, à Meios & Publicidade, é «permitir ao jornal reflectir na internet a grande equipa de jornalistas que tem, a capacidade em conseguir notícias.»

O DE segue, assim, o caminho que outros média nacionais já percorrem há algum tempo, como é o caso, por exemplo, do Expresso e da SIC.


A ler:
Diário Económico lança novas secções e reformula online
Convergência multimédia na SIC
O Diário Económico no Travessias Digitais

25.1.08

A estrear proximamente num jornal perto de si

Na Online Journalism Review, Jena Yung faz a pergunta: estão os jornais tradicionais prontos para aprender alguma coisa com Hollywood? Alguns já aprenderam.

Depois de estrearem certas reportagens nos seus sites, o Dallas Morning News e o St. Petersburg Times produziram trailers, semelhantes aos do cinema, e colocaram-nos no YouTube. O objectivo é simples: atrair leitores para os trabalhos jornalísticos.

A segunda pergunta de Yung: no futuro, iremos ao YouTube para saber o que vai estrear proximamente num jornal.com perto de nós?


A ler:
Newspapers use YouTube video previews to attract readers

21.1.08

Reuters impulsiona vídeo no ciberjornalismo


O passo que a Reuters está prestes a dar pode muito bem criar condições para a expansão do vídeo em publicações noticiosas na Web, tendência que tem vindo a consolidar-se nos últimos tempos.

A agência de informação britânica prepara-se para disponibilizar 13 mil vídeos, com 125 a serem adicionados diariamente, a empresas jornalísticas, que pagarão o material consoante o tráfego gerado.

É sabido que a produção de vídeo noticioso de qualidade na Web não fica barata às empresas (os jornais têm aqui, naturalmente, dificuldades acrescidas), que, no entanto, começam a perceber as vantagens comerciais que podem advir da aposta nesta modalidade. Daí que, como nota Andy Plesser, obter, atempadamente, material de qualidade possa significar um grande desenvolvimento para as empresas, que podem comercializar anúncios à volta dos vídeos.

A Reuters, recorde-se, já permite o embebimento gratuito de vídeos a partir do seu próprio site.

15.1.08

Do "web vídeo" para a televisão

É curioso ver como os ciberjornais começam a deixar de falar em "Web vídeo" e, sem complexos, adoptam "Web TV". Os jornais estão a entrar no mundo da televisão. Caso mais recente: o Daily Telegraph vai estrear sete "programas de TV" no seu site.

Mas, se formos ao Expresso online, já temos o Expresso TV. No ELPAÍS.com, o ELPAÍSTV. No Telegraph, o Telegraph TV. A palavra "TV", em vez de "vídeo", faz aqui toda a diferença, também em termos semânticos.

Nos casos do Telegraph e do ELPAÍS, que, note-se, estão ainda longe de constituir a maioria, o visionamento online assemelha-se à experiência de assistir a um telejornal: as peças em vídeo disponíveis sucedem-se. A diferença é que não há (por enquanto...) um pivot para fazer as ligações.

Se a moda pega, para quê ligar a TV?

12.1.08

MSNBC.com liberta vídeos


Todos os vídeos do MSNBC.com podem agora ser mostrados em qualquer sítio ou blogue. Basta copiar o código, como se faz no YouTube. É a primeira vez que, nos EUA, uma cadeia nacional de televisão disponibiliza clips que toda a gente pode mostrar nas suas páginas próprias. O salto, muito significativo, é acompanhado da estreia de um novo (e bastante convincente, diga-se de passagem) player de vídeo. A forma como o msnbc.com dispõe o menu dos vídeos é igualmente eficaz.

O msnbc.com junta-se assim a um grupo ainda restrito de ciberjornais que permite o embebimento da sua produção em vídeo. Tudo leva a crer que esta tendência se aprofunde no decorrer de 2008.


6.1.08

Castells: "o poder tem medo da Internet"

«Porque Internet es un instrumento de libertad y de autonomía, cuando el poder siempre ha estado basado en el control de las personas, mediante el de información y comunicación. Pero esto se acaba. Porque Internet no se puede controlar.

Manuel Castells, em entrevista a El País