22.9.08

Jornalismo, essência a preservar

«Kovach e Rosenstiel lembram-nos de que a primeira lealdade do jornalismo é para com os cidadãos; de facto, quase toda a consideração sobre ética profissional coloca a tónica num compromisso com o serviço público. Também nos lembram de que a essência do jornalismo é o que eles chamam de "disciplina da verificação". Os jornalistas distinguem o que fazem do trabalho de entertainers, romancistas e propagandistas com a promessa implícita à sua audiência de que não inventaram nada daquilo que incluíram na sua reportagem. Esta lealdade em relação ao público, e a sua colocação em prática através do afirmar da verdade, deveria guiar os jornalistas no uso da informação, onde quer que esta seja obtida.»

Jane B. Singer, in Online Journalism Ethics

20.9.08

Rede social "protegida" no WSJ.com


O WSJ.com bateu recordes de tráfego por altura das recentes mudanças no site, garante um editor da casa. Alan Murray falou com Andy Plesser, da Beet.tv, sobre a lógica que presidiu à criação de uma rede social "protegida", na qual só utilizadores registados, usando o seu nome real, podem entrar e participar.

Mais um sinal de que os ciberjornais (alguns) começam a perceber o potencial (aumento do tráfego, fixação de utilizadores, eventual retorno financeiro) das redes sociais. A ideia de criar comunidades à volta dos ciberjornais não é nova, mas parece estar a ganhar novo fôlego. Talvez por causa do sucesso galopante das grandes redes, como Facebook, MySpace, Hi5 e outras.

17.9.08

WSJ.com privilegia subscritores

O novo visual online do Wall Street Journal está impecável. Compacto, legível, com uma paleta de cores agradável e equilibrada. Nota positiva também para o novo player de vídeo (os vídeos no WSJ.com são embebíveis) e para os slideshows.

Para além das novidades relacionadas com o grafismo, estas mudanças no jornal apontam para o reforço de uma estratégia de fundo: privilegiar o subscritor. Só quem paga tem acesso a certos extras importantes.

Por exemplo, só os subscritores podem ter acesso à comunidade do jornal (uma espécie de rede social, que lhes permite comentar artigos, fazer perguntas a especialistas, ou juntar-se a redes em que se discutem certos assuntos) e à versão alargada do arquivo do site. O WSJ.com diz ter já mais de um milhão de subscritores.


A ler:
What’s new in the WSJ.com redesign
Estúdio de vídeo no WSJ.com


15.9.08

Prémio merecido para ELPAÍS.com

O ELPAÍS.com foi um dos dois premiados (o outro foi o Soitu.es.) na nova categoria dos Online Journalism Awards (2008), a que distingue sites de língua não-inglesa.

Os membros do júri consideraram que a versão digital do ELPAÍS.com é «um exemplo brilhante de como um meio tradicional pode florescer na arena digital» e «fixa a referência pela qual os outros se medem».

Para não ir mais longe no corroborar desta afirmação, basta vermos a recente remodelação gráfica do Le Monde.fr, claramente inspirada no "modelo ELPAÍS.com". É ainda elogiada a oferta do diário espanhol em infografia, «rica em informação e fácil de consumir». Os elogios são inteiramente merecidos.

Depois, estão lá os vencedores do costume (Washington Post, New York Times, CNN.com, etc.). O MSNBC.com., já por várias vezes premiado, desta vez não aparece.


A ler:
Newest Online Journalism Award category won by El Pais and Soitu
ELPAÍS.com gana el Premio a la Excelencia de la Online News Association

9.9.08

Mais um leitor electrónico de jornais

Já não é sem uma ponta de cepticismo que leio as notícias que dão conta do lançamento de mais um leitor electrónico de livros e jornais. Depois do Kindle, da Amazon, e do Sony Reader, agora é uma empresa de Silicon Valley, a Plastic Logic, a prometer a comercialização do seu e-book sem fios no próximo ano.

O caso dos leitores electrónicos parece mais um daqueles em que as empresas querem ir muito mais depressa que os hábitos das pessoas no que toca aos suportes da leitura de livros e de jornais. Faz lembrar o que se tem passado nos formatos de áudio: há anos que se tenta impor ao mercado o formato de alta definição SACD como substituto do velho CD, mas as prateleiras da FNAC e quejandos continuam é cheias dos "velhinhos" discos prateados, que, por sua vez, estão sob a séria ameaça do som fajuto dos MP3.

A propósito, dei comigo a reler o primeiro texto que escrevi sobre leitores electrónicos de jornais. Na altura, falava-se em "flat panels". Foi há doze anos, no Jornal de Notícias. Título: Dois jornais para o próximo milénio.


A ler:
Lecteur électronique de journaux
Um Kindle para ler

Travessias na memória:
A tinta que não pinta
O livro do desassossego

24.8.08

CNN liberta vídeos a pensar nas redes sociais


A CNN.com também já permite o embebimento dos seus vídeos em blogues ou sites. E a piscadela de olho às redes sociais é assumida sem rodeios por este gigante da comunicação: «We’ve also added a share feature to allow you to share videos on your favorite social networking sites like Facebook and MySpace.»

«Espalhem a notícia» parece ser, cada vez mais, o lema dos média noticiosos online. A CNN junta-se assim, neste particular, a outros média mainstream referidos no Travessias Digitais, como o MSNBC, a Reuters, o Wall Street Journal e o Washington Post.


A ler:
Behind the scenes

21.8.08

Le Monde partilha cartoons

A par de outros, os célebres cartoons de Plantu, do Le Monde, podem agora ser vistos em qualquer blogue ou site: o Le Monde.fr permite a cópia do código (embed) de um ecrã em que nos são mostrados os desenhos em sequência, tipo slideshow, com a opção de ecrã inteiro.

Tendo em conta o perfil do diário francês, este é um passo que pode ser considerado arrojado. O bom resultado é este:




6.8.08

SIC Online estreia "Widget"

A SIC Online estreia, amanhã, o Widget SIC. Trata-se de uma aplicação que permite ao utilizador ter acesso directo a notícias, vídeos e mesmo a emissão em directo sem ter de aceder ao site da estação de Carnaxide.

A "plataforma de conteúdos" pode ser instalada no ambiente de trabalho do computador, adicionada a um blogue ou exportada para redes sociais.

A ideia é, segundo Pedro Soares, director da SIC Online, estar mais próximos dos utilizadores: «O objectivo é ir de encontro aos utilizadores em vez de serem eles a procurarem a SIC.” (Media & Publicidade). O novo Widget «terá uma forte componente viral, com a possibilidade de envio a outros utilizadores de forma intuitiva».

Ou seja, a SIC Online não quer perder o comboio da Web 2.0.


A ler:
A SIC no Travessias Digitais

31.7.08

Congresso de Ciberjornalismo: lista de comunicações

Já é conhecida a lista de comunicações a apresentar no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, nos dias 11 e 12 de Dezembro de 2008, na Universidade do Porto.

Para além dos portugueses, entre os participantes contam-se também docentes e investigadores ingleses, alemães, espanhóis, brasileiros e chilenos. Os títulos das comunicações e respectivos autores podem ser lidos no sítio do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

10.7.08

Quem é verdadeiramente jornalista?

É, no mínimo, reconfortante começar a ler um livro sobre ética e ciberjornalismo e verificar que há quem, no meio de transformações tão bruscas, imprevisíveis e radicais que afectam o jornalismo, não perca de vista o essencial:

«A questão mais profunda, e uma que é central neste livro, é esta: Quem é verdadeiramente jornalista? Nós pensamos que a ética fornece o ponto crucial da resposta. Na nossa sociedade, um jornalista é alguém cujo primeiro objectivo é providenciar a informação de que cidadãos de uma democracia necessitam para serem livres e auto-governados: alguém que age de acordo com um firme compromisso com o equilíbrio, justeza, auto-domínio, e serviço; alguém em quem os membros do público possam confiar para os ajudar a entender o mundo e a tomar decisões razoáveis sobre as coisas que importam. No aberto, participativo, e gloriosamente estridente mundo online, são estes princípios abrangentes - e os modos concretos como são colocados em prática no dia-a-dia, por jornalistas individuais em todo o mundo - que estão a definir o jornalista e a determinar o futuro.» (Cecilia Friend e Jane B. Singer, Online Journalism Ethics: Traditions and Transitions).

Questões como estas são absolutamente centrais para a formação profissional e ética dos ciberjornalistas, uma vez que o meio onde operam, a Web, tende, frequentemente (por muitos e variados motivos), a desviá-los para práticas acessórias e prioridades irrelevantes.

3.7.08

Cinco ciberjornais de topo

O World Editors Forum pediu a cinco proeminentes designers de jornais para escolherem os cinco ciberjornais mais bem desenhados. O resultado foi este:

  1. ELPAÍS.com (Espanha)
  2. guardian.co.uk (Reino Unido)
  3. globeandmail.com (Canadá)
  4. 24sata.hr (Croácia)
  5. Times Online (Reino Unido)

Os dois primeiros são escolhas bastante acertadas, mas o Times Online, do meu ponto de vista, devia estar aí uns dois furos acima.

O mesmo painel de designers foi também convidado a eleger os dez jornais mais bem desenhados. O português Expresso é um dos escolhidos:

  • The Guardian (Reino Unido)
  • Politiken (Dinamarca)
  • Bergens Tidende (Noruega)
  • St Petersburg Times (Estados Unidos)
  • Eleftheros Typos (Grécia)
  • De Morgen (Bélgica)
  • elEconomista (Espanha)
  • Excelsior (México)
  • Expresso (Portugal)
  • Äripäev (Estónia)

Estes resultados estão incluídos num capítulo sobre a "fusão" impresso-online, tendência-chave examinada no Trends in Newsroom 2008.

23.6.08

Reportagem multimédia no JN

O JN fez ontem uma experiência interessante: publicou, com destaque, na edição em papel, uma reportagem sobre esteróides anabolisantes usados por utentes de ginásios. Ao mesmo tempo, produziu um pequeno "pacote" multimédia sobre o assunto para o site.

A reportagem do papel adaptada ao formato multimédia na Web permite-nos ler excertos curtos de texto e ver, em vídeo, algumas das fontes utilizadas.

Ora, não é todos os dias que nos podemos dar ao luxo de ver, em ciberjornais portugueses, reportagens multimédia (ainda que muito elementares), com direito a ficha técnica e tudo. Venham daí mais e melhores trabalhos destes, pois há muito que fazem falta no nosso panorama ciberjornalístico.


A ver:
Esteróides sem controlo

A ler:
JN dá salto na rede
Ciberjornalismo e Narrativa Hipermédia

16.6.08

A caminho da "redacção transparente" ?

«Nós convidamos o público, os cidadãos, a entrar na redacção, nas nossas conversas e até no nossos processos de tomada de decisão». Assim resume Steve Smith, editor do Spokesman-Review, diário publicado em Washington, o conceito de «redacção transparente» (que contropõe à tradicional «redacção fortaleza») implementado no seu jornal.

As pessoas querem fazer parte da conversa. Muitos jornais sabem-no há muito, mas sentem dificuldades em levar esse tipo de participação à prática, pois obriga a algumas mudanças drásticas. A começar pela que envolve a mentalidade dos jornalistas.

Este pequeno vídeo foi apresentado durante a recente reunião da World Association of Newspapers, em Gotemburgo, e ilustra uma postura que, creio, vai encontrar muitas resistências nas redacções por esse mundo fora.

13.6.08

Os primeiros prémios de ciberjornalismo

Finalmente, vamos ter prémios de ciberjornalismo em Portugal.

Promovidos pelo recém-criado ObCiber - Observatório do Ciberjornalismo, «visam reconhecer, anualmente, o que de melhor é produzido em Portugal nesta área.»

Há seis categorias a que os sites noticiosos portugueses podem candidatar trabalhos: Excelência Geral em Ciberjornalismo, “Breaking News”, Reportagem Multimédia, Videojornalismo Online, Infografia Digital e Ciberjornalismo Académico.

Os vencedores serão anunciados no decorrer do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, marcado para 11 e 12 de Dezembro próximo, na Universidade do Porto.

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser lidos no site do ObCiber.

6.6.08

O New York Times é móvel

Michael Zimbalist, chefe do departamento de Investigação & Desenvolvimento da empresa proprietária do New York Times, falou à Beet.Tv sobre a aposta decidida do jornal em tudo o que é móvel, área em que as visitas têm vindo a disparar.

Zimbalist mostra-se especialmente interessado nas dinâmicas que se podem estabelecer entre o móvel e o jornal impresso, que poderá tornar-se numa espécie de digest de todo o tipo de conteúdos digitais disponíveis.

Passo ainda mais arrojado: o New York Times já está trabalhar na adaptação do jornal à chamada Web semântica sonhada por Berners-Lee. A ideia é produzir cada vez mais "conteúdo inteligente", enriquecido com todo o tipo de metadados (fotográficos, geográficos, etc.).