27.2.09

Livro sobre jornalismo e Internet

Eis um livro, publicado recentemente, que chama a atenção, desde logo, pelo assunto central: de que forma está a Internet a transformar o jornalismo. Trata-se de um tema que acompanho e investigo há mais de uma década.

Em Online newsgathering. Research and reporting for journalism, Stephen Quin e Stephen Lamble analisam (espero que analisem mesmo e que não seja mais um livro tipo manual prático, pois isso já há em fartura) a forma como a tecnologia está a mudar as rotinas dos jornalistas, como os blogues estão a transformar-se numa ferramenta essencial para pesquisa e recolha de informação, ou o impacto dos conteúdos gerados pelos chamados "cidadãos-jornalistas".

(dica de Cyberjournalism)

6.2.09

Artigo sobre ciberjornalistas portugueses

Na revista académica Prisma.Com, da Universidade do Porto (UP), pode ser lido o texto que serviu de base à conferência que dei no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, realizado, em Dezembro passado, na UP.

No artigo "Ciberjornalistas portugueses: Das práticas às questões de ética" são apresentados os resultados de um inquérito feito a ciberjornalistas portugueses de órgãos de comunicação social mainstream, englobando jornais, revistas, rádios, televisões e jornais publicados exclusivamente na Web. O estudo fornece uma caracterização destes profissionais ao nível socio-demográfico, profissional, ocupacional e ético.

23.1.09

A reinvenção do El País

No recente anúncio da "mudança estrutural" no El País, é importante atentar na semântica. Juan Luis Cebrián já não fala tanto em convergência de redacções, mas antes em "fusão" e "integração":

«La redacción de EL PAÍS se fundirá con la de su edición en internet (que hasta el momento dependía de otra empresa del grupo, Prisacom). Esta integración no se limita a un nivel periodístico, sino que constituye también una fusión de operaciones económicas.»

Até agora, tem-se falado muito em convergência, na necessidade da mesma, etc.. Mas, na hora de a levar à prática, tudo se complica. No entanto, face à crise que as aperta, as empresas começam a perceber que não basta convergir: torna-se necessário fundir mesmo, de modo a criar condições para produzir, segundo um modelo multiplataforma, para papel, web e telemóveis.

Vai ser interessante, pois, seguir com atenção as grandes mudanças anunciadas no El País e verificar até onde vai a "fusão", à volta da qual vão girar 500 jornalistas.


A ler:
El País se reinventa
Mudança integral no El Mundo

14.1.09

Ciberjornalismo em documentário

Um grupo de doutorandos em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais (Universidades de Aveiro e Porto) produziu um pequeno documentário sobre ciberjornalismo e media participativos. O trabalho, interessante, raro e pedagógico, pode ser visto agora no YouTube.

11.1.09

Mudança integral no El Mundo

O diário espanhol El Mundo mudou. E a mudança, no papel e na Web, concretizada hoje, é anunciada assim: «Este periódico es el primero en la historia en llevar a cabo el relanzamiento integral de una marca.»

No site, há vídeos, infografias e textos para explicar as mudanças. O próprio marketing multimédia levado a cabo para o efeito é de se lhe tirar o chapéu.



A ler:
O El Mundo no Travessias Digitais

31.12.08

Ciberjornalismo em Portugal 2008

O ano que agora finda não foi particularmente brilhante para o ciberjornalismo em Portugal. Não houve avanços significativos, quer ao nível das configurações empresariais, quer ao nível dos formatos e plataformas, quer ainda ao nível das práticas jornalísticas. Mas, ainda assim, 2008 deixa algumas marcas dignas de registo, em particular no meio académico:

A ler:
Ciberjornalismo em Portugal 2007

16.12.08

Integração de redacções no Público

A verdadeira integração de redacções (tradicionais e online) é ainda uma realidade distante da maior parte das redacções do país. Parece haver, por parte das empresas jornalísticas, uma grande hesitação, quer quanto aos modelos a seguir, quer em relação aos meios a empregar.

De qualquer modo, surgem sinais de que, pelo menos, há consciência de que, num contexto geral de dificuldades para a imprensa, se está a andar muito devagar. Exemplo disso são as recentes declarações do director do Público à Meios & Publicidade.

José Manuel Fernandes reconhece que «o caminho é grande [para a integração] e tem de ser percorrido mais depressa» e que «o mundo dos jornais está a mudar, e quando temos mais leitores no online do que na edição em papel», é preciso acompanhar essa mudança.

Que os jornais já perceberam que têm de mudar, não é novidade. O problema é que, em geral, mudam mais devagar do que seria desejável, porque as resistências à mudança são sempre muitas e nada fáceis de ultrapassar.


A ler:
Público quer “acelerar” processo de integração de redacções

13.12.08

Prémios e Congresso de Ciberjornalismo

Estão de parabéns os vencedores da primeira edição dos Prémios de Ciberjornalismo, ontem entregues no decorrer do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, na Universidade do Porto. E os vencedores, recorde-se, foram:


A imprensa (em papel e online), de ontem e de hoje, faz eco dos prémios atribuídos pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber):


Os dois dias intensos, ricos em debate e troca de ideias, do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo estão resumidos no blogue do congresso, que foi alimentado em permanência por alunas do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.

2.12.08

Expresso e Público reforçam online

O Expresso reforçou a área do desporto na sua edição online e o Público.pt vai passar a disponibilizar, a partir da próxima sexta-feira, o suplemento Ípsilon. Mas, neste caso, os receios de "canibalização" do produto em papel são ainda evidentes, como se vê por esta declaração do coordenador geral do Público.pt à Meios & Publicidade: “O site Ipsilon não será um substituto ou alternativa ao caderno Ipsilon mas sim um complemento ao mesmo”».

20.11.08

Público.pt, versão iPhone


Registe-se a novidade: o Público.pt criou uma versão para o iPhone. Esta aposta na difusão multiplataforma de conteúdos tem o nome de I.Publico.pt e destina-se a «todos os leitores que utilizem iPhone e queiram estar informados a qualquer momento, de uma forma totalmente enquadrada na experiência de navegação proposta pelo terminal da Apple.» O I.Publico.pt está em fase de testes.




A ler:
Chegou o PUBLICO.PT para iPhone

6.11.08

O outro, hoje mais próximo?

Em É Preciso Salvar a Comunicação, Dominique Wolton regressa a algumas das suas reflexões de longa data. Mais uma vez nos lembra que a proliferação de tecnologias, a par de fluxos tremendos de informação, não nos garantem automaticamente que estejamos a comunicar melhor uns com os outros.

Diria que, talvez, este paradoxo seja hoje particularmente visível nas redes sociais, onde a apresentação individual parece sobrepor-se à comunicação propriamente dita, aquela que pressupõe o real confronto de subjectividades, o encarar o outro.

Ou, como diria Wolton, tendo em conta o contexto mais vasto da comunicação global, «o outro, hoje mais próximo, mais acessível, tornou-se no meu igual. Ao mesmo tempo, a experiência da comunicação prova que é dificilmente atingível, e que todas as liberdades e todas as técnicas não são suficientes para eu me aproximar.» É o que ele chama de realidade antropológica da incomunicação, um dos temas mais fascinantes nos debates sobre comunicação.

Wolton reafirma também, no âmbito das dinâmicas entre os média e a sociedade, as suas preocupações com o atomização - potenciada pelas novas tecnologias, com a Net à cabeça, - dos indivíduos. Por isso, defende o papel dos média tradicionais como factores de coesão social.

Na "sociedade individualista de massas", as novas tecnologias «são eficazes no que respeita à liberdade, muito menos no que respeita à coesão social. São ao mesmo tempo individualistas e comunitárias, mas pouco colectivas e sociais. Para gerir estas duas dimensões, é preciso na realidade revalorizar o papel complementar, essencial, da imprensa, da rádio e da televisão que se dirige a todos. Tarefa indispensável no momento em que as nossas sociedades fabricam novos processos de precarização e segmentação.»

Para quem não leu as obras mais conhecidas de Wolton, como Elogio do Grande Público, Pensar a Comunicação ou E Depois da Internet?, É Preciso Salvar a Comunicação é uma excelente porta de entrada nas ideias deste autor, que não é propriamente conhecido por alinhar em modas ou euforias que por aí abundam.

3.11.08

Lusa mais multimédia

As agências de informação, a começar pelas maiores, como a Reuters, há muito perceberam que têm de mudar para se adaptar às novas paisagens multimediáticas. O tempo da mera comercialização de "takes" de texto está a passar à história.

Por cá, a agência Lusa tem feito um esforço no sentido da mudança. Sinal claro disso é o facto de, a partir de hoje, começar a disponibilizar, a título experimental, os seus conteúdos em áudio e vídeo.

Trata-se do culminar de um processo que começou há cerca de três meses, com a formação (em parceria com o curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto) dada aos jornalistas da casa para os habilitar a trabalhar em ambiente multimédia.


A ler:
Lusa começa hoje em vídeo e som
Reuters impulsiona vídeo no ciberjornalismo

26.10.08

NYTimes com vídeo de alta definição

A saúde financeira do New York Times não é a melhor, o negócio online também não ajuda muito, mas, como bem refere Erick Schonfeld, pelo menos continua em frente, ao contrário de muitos outros, que paralisam face o mar de incertezas quanto ao futuro em que se encontram mergulhados.

O NYTimes.com acaba de redesenhar a sua página de vídeo, que agora funciona numa nova plataforma, da empresa Brightcove, com a qual alguns jornais europeus também trabalham. Além disso, o jornal prepara-se para apostar no vídeo de alta definição.

A ler:
The NYTimes.com Prepares For HD Video

15.10.08

Novo blogue sobre ciberjornalismo

Nasceu um novo blogue sobre ciberjornalismo. O autor, Javier Díaz Noci, é um dos principais investigadores espanhóis nesta área.

Interessante é o enfoque que o professor universitário pretende dar a CyberJournalism, blogue escrito em inglês: privilegiar a análise de conceitos e tendências do ciberjornalismo em detrimento de temas de índole profissional.

Um bom exemplo é dado logo num dos posts iniciais, em que Noci justifica por que prefere o termo cyberjornalism, ou ciberjornalismo (que também colhe a minha preferência), em vez de jornalismo online ou webjornalismo:

«“Online journalism” is a very widespread term, of course, but not very worthy to be translated into Spanish. It underlines, on the other hand, just one characteristic of this new journalistic form.

“Webjournalism”, as proposed by our Brazilian colleagues, is a good alternative, we guess. Journalism made for the Web is, in fact, the thing we try to analyze. Better, in fact, than “Internet journalism”; it is more concrete.

Nevertheless, we do not know what the Internet will be in the future, even if it will receive the same name. So we prefer to take about journalism made for cyberspace -in present days the Internet, some time ahead probably somo other thing. So, that’s Cyberjournalism.»

Um blogue a seguir com atenção.

28.9.08

Um mundo só deles

«O problema das televisões e dos meios de comunicação em geral é que são tão grandes, influentes e importantes que começaram a criar um mundo só deles. Um mundo que tem muito pouco a ver com a realidade. De resto, esses meios de comunicação não estão interessados em reflectir a realidade do mundo, mas sim em competir entre si. Uma estação televisiva, ou um jornal, não pode permitir-se não ter a notícia que o seu concorrente directo tem. De modo que acabam por observar os seus concorrentes em vez de observar a vida real. Actualmente, os meios de comunicação andam em bandos, quais ovelhas em rebanhos.»