30.3.09

Ciberjornalistas, os mais optimistas

Nos Estados Unidos, onde os sinais da crise na imprensa, e na indústria dos média em geral, têm sido particularmente visíveis, os únicos jornalistas que parecem alimentar alguma esperança em melhores dias são os ciberjornalistas.

Um inquérito a membros seleccionados da Online News Association, a maior associação de ciberjornalistas do mundo, conclui que aqueles profissionais estão mais optimistas sobre o futuro da sua indústria do que os colegas que trabalham nos média tradicionais, como os jornais ou a televisão.

Mais de 60% dos respondentes disseram que os seus ciberjornais estão actualmente a dar lucro e 4 em cada 10 acham que o ciberjornalismo vai encontrar um modelo de negócio rentável. Nesta questão, note-se, tem entroncado a maior parte dos problemas do ciberjornalismo, praticamente desde o seu nascimento.


A ler:
Survey: Online journalists more optimistic about future of journalism than newspaper or TV journalists

5.3.09

Os jornais e a crise deles

O texto que José Vítor Malheiros hoje escreve no Público, a propósito da crise da imprensa, é de tal modo certeiro no diagnóstico que deve ter doído fundo a muito boa gente, sobretudo aquela que tem responsabilidades na administração dos jornais. Incluindo a do Público, naturalmente.

Por exemplo, quando o jornalista, acertadamente, escreve:

«Este é o desafio que os jornais em papel têm de enfrentar. Até agora, a venda de "produtos associados" (livros, DVD, etc.) e os cortes de pessoal têm permitido ganhar tempo e incutir falsas esperanças nos accionistas, mas os buracos financeiros vão-se alargando. A crise de vendas - e de audiências e publicidade - é aliás alimentada pelos cortes de pessoal e de custos, que reduzem a qualidade dos jornais e alienam cada vez mais leitores.»

Outra, sobremaneira acertada:

«Apesar de um discurso que valoriza "a marca", os jornais têm reduzido muito daquilo que poderiam ser factores de distinção pela qualidade. Os jornalistas são pressionados a produzir mais em menos tempo e as redacções, por falta de recursos, abandonam os grandes trabalhos de investigação que poderiam justificar a sua existência. (...) Um jornal nacional com uma redacção de 30 jornalistas não pode cobrir com qualidade todas as áreas. O bom jornalismo exige tempo, dinheiro, pessoas qualificadas.»

A qualificação das pessoas devia, obviamente, começar pelos membros das administrações dos jornais. Quer-me parecer que boa parte deles não sabe bem o que anda a fazer. Vindos de áreas estranhas à imprensa, treinados para a eficiência e o controlo de custos, obcecados com os accionistas, comportam-se como elefantes numa loja de porcelana. A crise veio agravar-lhes substancialmente o desatino e a falta de estratégia, como se tem visto, com particular nitidez, na Controlinveste.

Entre a qualidade jornalística e o relatório de contas, o diabo já veio e fez as suas escolhas.

27.2.09

Livro sobre jornalismo e Internet

Eis um livro, publicado recentemente, que chama a atenção, desde logo, pelo assunto central: de que forma está a Internet a transformar o jornalismo. Trata-se de um tema que acompanho e investigo há mais de uma década.

Em Online newsgathering. Research and reporting for journalism, Stephen Quin e Stephen Lamble analisam (espero que analisem mesmo e que não seja mais um livro tipo manual prático, pois isso já há em fartura) a forma como a tecnologia está a mudar as rotinas dos jornalistas, como os blogues estão a transformar-se numa ferramenta essencial para pesquisa e recolha de informação, ou o impacto dos conteúdos gerados pelos chamados "cidadãos-jornalistas".

(dica de Cyberjournalism)

6.2.09

Artigo sobre ciberjornalistas portugueses

Na revista académica Prisma.Com, da Universidade do Porto (UP), pode ser lido o texto que serviu de base à conferência que dei no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, realizado, em Dezembro passado, na UP.

No artigo "Ciberjornalistas portugueses: Das práticas às questões de ética" são apresentados os resultados de um inquérito feito a ciberjornalistas portugueses de órgãos de comunicação social mainstream, englobando jornais, revistas, rádios, televisões e jornais publicados exclusivamente na Web. O estudo fornece uma caracterização destes profissionais ao nível socio-demográfico, profissional, ocupacional e ético.

23.1.09

A reinvenção do El País

No recente anúncio da "mudança estrutural" no El País, é importante atentar na semântica. Juan Luis Cebrián já não fala tanto em convergência de redacções, mas antes em "fusão" e "integração":

«La redacción de EL PAÍS se fundirá con la de su edición en internet (que hasta el momento dependía de otra empresa del grupo, Prisacom). Esta integración no se limita a un nivel periodístico, sino que constituye también una fusión de operaciones económicas.»

Até agora, tem-se falado muito em convergência, na necessidade da mesma, etc.. Mas, na hora de a levar à prática, tudo se complica. No entanto, face à crise que as aperta, as empresas começam a perceber que não basta convergir: torna-se necessário fundir mesmo, de modo a criar condições para produzir, segundo um modelo multiplataforma, para papel, web e telemóveis.

Vai ser interessante, pois, seguir com atenção as grandes mudanças anunciadas no El País e verificar até onde vai a "fusão", à volta da qual vão girar 500 jornalistas.


A ler:
El País se reinventa
Mudança integral no El Mundo

14.1.09

Ciberjornalismo em documentário

Um grupo de doutorandos em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais (Universidades de Aveiro e Porto) produziu um pequeno documentário sobre ciberjornalismo e media participativos. O trabalho, interessante, raro e pedagógico, pode ser visto agora no YouTube.

11.1.09

Mudança integral no El Mundo

O diário espanhol El Mundo mudou. E a mudança, no papel e na Web, concretizada hoje, é anunciada assim: «Este periódico es el primero en la historia en llevar a cabo el relanzamiento integral de una marca.»

No site, há vídeos, infografias e textos para explicar as mudanças. O próprio marketing multimédia levado a cabo para o efeito é de se lhe tirar o chapéu.



A ler:
O El Mundo no Travessias Digitais

31.12.08

Ciberjornalismo em Portugal 2008

O ano que agora finda não foi particularmente brilhante para o ciberjornalismo em Portugal. Não houve avanços significativos, quer ao nível das configurações empresariais, quer ao nível dos formatos e plataformas, quer ainda ao nível das práticas jornalísticas. Mas, ainda assim, 2008 deixa algumas marcas dignas de registo, em particular no meio académico:

A ler:
Ciberjornalismo em Portugal 2007

16.12.08

Integração de redacções no Público

A verdadeira integração de redacções (tradicionais e online) é ainda uma realidade distante da maior parte das redacções do país. Parece haver, por parte das empresas jornalísticas, uma grande hesitação, quer quanto aos modelos a seguir, quer em relação aos meios a empregar.

De qualquer modo, surgem sinais de que, pelo menos, há consciência de que, num contexto geral de dificuldades para a imprensa, se está a andar muito devagar. Exemplo disso são as recentes declarações do director do Público à Meios & Publicidade.

José Manuel Fernandes reconhece que «o caminho é grande [para a integração] e tem de ser percorrido mais depressa» e que «o mundo dos jornais está a mudar, e quando temos mais leitores no online do que na edição em papel», é preciso acompanhar essa mudança.

Que os jornais já perceberam que têm de mudar, não é novidade. O problema é que, em geral, mudam mais devagar do que seria desejável, porque as resistências à mudança são sempre muitas e nada fáceis de ultrapassar.


A ler:
Público quer “acelerar” processo de integração de redacções

13.12.08

Prémios e Congresso de Ciberjornalismo

Estão de parabéns os vencedores da primeira edição dos Prémios de Ciberjornalismo, ontem entregues no decorrer do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, na Universidade do Porto. E os vencedores, recorde-se, foram:


A imprensa (em papel e online), de ontem e de hoje, faz eco dos prémios atribuídos pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber):


Os dois dias intensos, ricos em debate e troca de ideias, do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo estão resumidos no blogue do congresso, que foi alimentado em permanência por alunas do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.

2.12.08

Expresso e Público reforçam online

O Expresso reforçou a área do desporto na sua edição online e o Público.pt vai passar a disponibilizar, a partir da próxima sexta-feira, o suplemento Ípsilon. Mas, neste caso, os receios de "canibalização" do produto em papel são ainda evidentes, como se vê por esta declaração do coordenador geral do Público.pt à Meios & Publicidade: “O site Ipsilon não será um substituto ou alternativa ao caderno Ipsilon mas sim um complemento ao mesmo”».

20.11.08

Público.pt, versão iPhone


Registe-se a novidade: o Público.pt criou uma versão para o iPhone. Esta aposta na difusão multiplataforma de conteúdos tem o nome de I.Publico.pt e destina-se a «todos os leitores que utilizem iPhone e queiram estar informados a qualquer momento, de uma forma totalmente enquadrada na experiência de navegação proposta pelo terminal da Apple.» O I.Publico.pt está em fase de testes.




A ler:
Chegou o PUBLICO.PT para iPhone

6.11.08

O outro, hoje mais próximo?

Em É Preciso Salvar a Comunicação, Dominique Wolton regressa a algumas das suas reflexões de longa data. Mais uma vez nos lembra que a proliferação de tecnologias, a par de fluxos tremendos de informação, não nos garantem automaticamente que estejamos a comunicar melhor uns com os outros.

Diria que, talvez, este paradoxo seja hoje particularmente visível nas redes sociais, onde a apresentação individual parece sobrepor-se à comunicação propriamente dita, aquela que pressupõe o real confronto de subjectividades, o encarar o outro.

Ou, como diria Wolton, tendo em conta o contexto mais vasto da comunicação global, «o outro, hoje mais próximo, mais acessível, tornou-se no meu igual. Ao mesmo tempo, a experiência da comunicação prova que é dificilmente atingível, e que todas as liberdades e todas as técnicas não são suficientes para eu me aproximar.» É o que ele chama de realidade antropológica da incomunicação, um dos temas mais fascinantes nos debates sobre comunicação.

Wolton reafirma também, no âmbito das dinâmicas entre os média e a sociedade, as suas preocupações com o atomização - potenciada pelas novas tecnologias, com a Net à cabeça, - dos indivíduos. Por isso, defende o papel dos média tradicionais como factores de coesão social.

Na "sociedade individualista de massas", as novas tecnologias «são eficazes no que respeita à liberdade, muito menos no que respeita à coesão social. São ao mesmo tempo individualistas e comunitárias, mas pouco colectivas e sociais. Para gerir estas duas dimensões, é preciso na realidade revalorizar o papel complementar, essencial, da imprensa, da rádio e da televisão que se dirige a todos. Tarefa indispensável no momento em que as nossas sociedades fabricam novos processos de precarização e segmentação.»

Para quem não leu as obras mais conhecidas de Wolton, como Elogio do Grande Público, Pensar a Comunicação ou E Depois da Internet?, É Preciso Salvar a Comunicação é uma excelente porta de entrada nas ideias deste autor, que não é propriamente conhecido por alinhar em modas ou euforias que por aí abundam.

3.11.08

Lusa mais multimédia

As agências de informação, a começar pelas maiores, como a Reuters, há muito perceberam que têm de mudar para se adaptar às novas paisagens multimediáticas. O tempo da mera comercialização de "takes" de texto está a passar à história.

Por cá, a agência Lusa tem feito um esforço no sentido da mudança. Sinal claro disso é o facto de, a partir de hoje, começar a disponibilizar, a título experimental, os seus conteúdos em áudio e vídeo.

Trata-se do culminar de um processo que começou há cerca de três meses, com a formação (em parceria com o curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto) dada aos jornalistas da casa para os habilitar a trabalhar em ambiente multimédia.


A ler:
Lusa começa hoje em vídeo e som
Reuters impulsiona vídeo no ciberjornalismo

26.10.08

NYTimes com vídeo de alta definição

A saúde financeira do New York Times não é a melhor, o negócio online também não ajuda muito, mas, como bem refere Erick Schonfeld, pelo menos continua em frente, ao contrário de muitos outros, que paralisam face o mar de incertezas quanto ao futuro em que se encontram mergulhados.

O NYTimes.com acaba de redesenhar a sua página de vídeo, que agora funciona numa nova plataforma, da empresa Brightcove, com a qual alguns jornais europeus também trabalham. Além disso, o jornal prepara-se para apostar no vídeo de alta definição.

A ler:
The NYTimes.com Prepares For HD Video