21.4.09

Para a história do ciberjornalismo em Portugal

A comunicação que apresentei no VI Congresso da SOPCOM, que decorreu, há dias, na Universidade Lusófona, em Lisboa, está disponível online, em formato pdf. Intitula-se "Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal".

O resumo é o seguinte:

«Neste paper é proposta uma divisão global em três fases da história dos primeiros doze anos do ciberjornalismo em Portugal: a da implementação (1995-1998), a da expansão ou “boom” (1999-2000) e a da depressão seguida de estagnação (2001-2007).

A primeira fase abarca os anos de implementação de edições electrónicas de media tradicionais na Web. É uma fase experimental, hesitante, dominada pelo modelo "shovelware": os jornais abrem os respectivos sites para neles reproduzirem os conteúdos produzidos para a versão de papel, as rádios transmitem na Web o sinal hertziano, as televisões os seus telejornais.

A fase do “boom”, a do optimismo empresarial, porventura exagerado, é marcada pelo aparecimento dos primeiros jornais generalistas exclusivamente online, como o Diário Digital e o Portugal Diário.

A fase da depressão, a do início do fim de uma certa ilusão, é marcada pelo encerramento de sites, cortes em pessoal e redução das despesas. A “bolha digital” rebentara e o investimento publicitário decaíra. Seguir-se-ia um período de estagnação generalizado, de reduzido investimento a todos os níveis, pontuado por alguns investimentos a contracorrente.»

13.4.09

Editores apreciam aptidões digitais

Os editores online norte-americanos consideram cada vez mais importante as aptidões digitais dos ciberjornalistas. Quando questionados sobre que tipo de formação gostariam que os seus ciberjornalistas contratados tivessem daqui a cinco anos, o manuseamento de texto, áudio, fotografia e vídeo surge à cabeça.

O estudo foi feito por Sahira Fahmy e está agora disponível, na íntegra, com o título "How Online Journalists Rank Importance of News Skills", no Newspaper Research Journal.


«This study, based on a national survey of 245 online news professionals, primarily focuses on assessing the importance of future traditional journalism skills, digital journalism skills and Web-coding skills. It also contributes to our overall understanding of the changes taking place in the newsgathering business as it offers some updated insights into the online news industry.»

11.4.09

"Obesidade" a mais, jornalismo a menos

Os textos contra as marés são sempre estimulantes, sobretudo quando não concordamos com eles. Não é o caso, no entanto, do texto que Eduardo Cintra Torres assina no Público (P2) de hoje e cuja leitura recomendo a toda a gente que se interessa, verdadeiramente, por comunicação e por jornalismo.

Em "A obesidade informativa e a luta pelo jornalismo", Cintra Torres escreve sobre algumas questões muito interessantes, tais como a «obesidade informativa» («A nossa época é a da obesidade informativa. Os indivíduos são sujeitos, ou sujeitam-se, por vontade própria, a demasiada informação»), as «mensagens inúteis de Twitters e de outras redes sociais anti-sociais», e a confusão que hoje reina entre informação (demasiada) e o jornalismo (cada vez mais raro).

O crítico lembra o que muito boa gente faz por esquecer: «Porque uma sociedade sem jornalismo independente, só com informação desenfreada, será uma sociedade infernal, com os poderes em roda livre e os cidadãos submersos num mar revolto de mentiras ou verdades inúteis para os enganarem, não só no espaço mediático, como na vida.»

Um bom ponto de partida para uma boa discussão.

30.3.09

Ciberjornalistas, os mais optimistas

Nos Estados Unidos, onde os sinais da crise na imprensa, e na indústria dos média em geral, têm sido particularmente visíveis, os únicos jornalistas que parecem alimentar alguma esperança em melhores dias são os ciberjornalistas.

Um inquérito a membros seleccionados da Online News Association, a maior associação de ciberjornalistas do mundo, conclui que aqueles profissionais estão mais optimistas sobre o futuro da sua indústria do que os colegas que trabalham nos média tradicionais, como os jornais ou a televisão.

Mais de 60% dos respondentes disseram que os seus ciberjornais estão actualmente a dar lucro e 4 em cada 10 acham que o ciberjornalismo vai encontrar um modelo de negócio rentável. Nesta questão, note-se, tem entroncado a maior parte dos problemas do ciberjornalismo, praticamente desde o seu nascimento.


A ler:
Survey: Online journalists more optimistic about future of journalism than newspaper or TV journalists

5.3.09

Os jornais e a crise deles

O texto que José Vítor Malheiros hoje escreve no Público, a propósito da crise da imprensa, é de tal modo certeiro no diagnóstico que deve ter doído fundo a muito boa gente, sobretudo aquela que tem responsabilidades na administração dos jornais. Incluindo a do Público, naturalmente.

Por exemplo, quando o jornalista, acertadamente, escreve:

«Este é o desafio que os jornais em papel têm de enfrentar. Até agora, a venda de "produtos associados" (livros, DVD, etc.) e os cortes de pessoal têm permitido ganhar tempo e incutir falsas esperanças nos accionistas, mas os buracos financeiros vão-se alargando. A crise de vendas - e de audiências e publicidade - é aliás alimentada pelos cortes de pessoal e de custos, que reduzem a qualidade dos jornais e alienam cada vez mais leitores.»

Outra, sobremaneira acertada:

«Apesar de um discurso que valoriza "a marca", os jornais têm reduzido muito daquilo que poderiam ser factores de distinção pela qualidade. Os jornalistas são pressionados a produzir mais em menos tempo e as redacções, por falta de recursos, abandonam os grandes trabalhos de investigação que poderiam justificar a sua existência. (...) Um jornal nacional com uma redacção de 30 jornalistas não pode cobrir com qualidade todas as áreas. O bom jornalismo exige tempo, dinheiro, pessoas qualificadas.»

A qualificação das pessoas devia, obviamente, começar pelos membros das administrações dos jornais. Quer-me parecer que boa parte deles não sabe bem o que anda a fazer. Vindos de áreas estranhas à imprensa, treinados para a eficiência e o controlo de custos, obcecados com os accionistas, comportam-se como elefantes numa loja de porcelana. A crise veio agravar-lhes substancialmente o desatino e a falta de estratégia, como se tem visto, com particular nitidez, na Controlinveste.

Entre a qualidade jornalística e o relatório de contas, o diabo já veio e fez as suas escolhas.

27.2.09

Livro sobre jornalismo e Internet

Eis um livro, publicado recentemente, que chama a atenção, desde logo, pelo assunto central: de que forma está a Internet a transformar o jornalismo. Trata-se de um tema que acompanho e investigo há mais de uma década.

Em Online newsgathering. Research and reporting for journalism, Stephen Quin e Stephen Lamble analisam (espero que analisem mesmo e que não seja mais um livro tipo manual prático, pois isso já há em fartura) a forma como a tecnologia está a mudar as rotinas dos jornalistas, como os blogues estão a transformar-se numa ferramenta essencial para pesquisa e recolha de informação, ou o impacto dos conteúdos gerados pelos chamados "cidadãos-jornalistas".

(dica de Cyberjournalism)

6.2.09

Artigo sobre ciberjornalistas portugueses

Na revista académica Prisma.Com, da Universidade do Porto (UP), pode ser lido o texto que serviu de base à conferência que dei no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, realizado, em Dezembro passado, na UP.

No artigo "Ciberjornalistas portugueses: Das práticas às questões de ética" são apresentados os resultados de um inquérito feito a ciberjornalistas portugueses de órgãos de comunicação social mainstream, englobando jornais, revistas, rádios, televisões e jornais publicados exclusivamente na Web. O estudo fornece uma caracterização destes profissionais ao nível socio-demográfico, profissional, ocupacional e ético.

23.1.09

A reinvenção do El País

No recente anúncio da "mudança estrutural" no El País, é importante atentar na semântica. Juan Luis Cebrián já não fala tanto em convergência de redacções, mas antes em "fusão" e "integração":

«La redacción de EL PAÍS se fundirá con la de su edición en internet (que hasta el momento dependía de otra empresa del grupo, Prisacom). Esta integración no se limita a un nivel periodístico, sino que constituye también una fusión de operaciones económicas.»

Até agora, tem-se falado muito em convergência, na necessidade da mesma, etc.. Mas, na hora de a levar à prática, tudo se complica. No entanto, face à crise que as aperta, as empresas começam a perceber que não basta convergir: torna-se necessário fundir mesmo, de modo a criar condições para produzir, segundo um modelo multiplataforma, para papel, web e telemóveis.

Vai ser interessante, pois, seguir com atenção as grandes mudanças anunciadas no El País e verificar até onde vai a "fusão", à volta da qual vão girar 500 jornalistas.


A ler:
El País se reinventa
Mudança integral no El Mundo

14.1.09

Ciberjornalismo em documentário

Um grupo de doutorandos em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais (Universidades de Aveiro e Porto) produziu um pequeno documentário sobre ciberjornalismo e media participativos. O trabalho, interessante, raro e pedagógico, pode ser visto agora no YouTube.

11.1.09

Mudança integral no El Mundo

O diário espanhol El Mundo mudou. E a mudança, no papel e na Web, concretizada hoje, é anunciada assim: «Este periódico es el primero en la historia en llevar a cabo el relanzamiento integral de una marca.»

No site, há vídeos, infografias e textos para explicar as mudanças. O próprio marketing multimédia levado a cabo para o efeito é de se lhe tirar o chapéu.



A ler:
O El Mundo no Travessias Digitais

31.12.08

Ciberjornalismo em Portugal 2008

O ano que agora finda não foi particularmente brilhante para o ciberjornalismo em Portugal. Não houve avanços significativos, quer ao nível das configurações empresariais, quer ao nível dos formatos e plataformas, quer ainda ao nível das práticas jornalísticas. Mas, ainda assim, 2008 deixa algumas marcas dignas de registo, em particular no meio académico:

A ler:
Ciberjornalismo em Portugal 2007

16.12.08

Integração de redacções no Público

A verdadeira integração de redacções (tradicionais e online) é ainda uma realidade distante da maior parte das redacções do país. Parece haver, por parte das empresas jornalísticas, uma grande hesitação, quer quanto aos modelos a seguir, quer em relação aos meios a empregar.

De qualquer modo, surgem sinais de que, pelo menos, há consciência de que, num contexto geral de dificuldades para a imprensa, se está a andar muito devagar. Exemplo disso são as recentes declarações do director do Público à Meios & Publicidade.

José Manuel Fernandes reconhece que «o caminho é grande [para a integração] e tem de ser percorrido mais depressa» e que «o mundo dos jornais está a mudar, e quando temos mais leitores no online do que na edição em papel», é preciso acompanhar essa mudança.

Que os jornais já perceberam que têm de mudar, não é novidade. O problema é que, em geral, mudam mais devagar do que seria desejável, porque as resistências à mudança são sempre muitas e nada fáceis de ultrapassar.


A ler:
Público quer “acelerar” processo de integração de redacções

13.12.08

Prémios e Congresso de Ciberjornalismo

Estão de parabéns os vencedores da primeira edição dos Prémios de Ciberjornalismo, ontem entregues no decorrer do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, na Universidade do Porto. E os vencedores, recorde-se, foram:


A imprensa (em papel e online), de ontem e de hoje, faz eco dos prémios atribuídos pelo Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber):


Os dois dias intensos, ricos em debate e troca de ideias, do I Congresso Internacional de Ciberjornalismo estão resumidos no blogue do congresso, que foi alimentado em permanência por alunas do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto.

2.12.08

Expresso e Público reforçam online

O Expresso reforçou a área do desporto na sua edição online e o Público.pt vai passar a disponibilizar, a partir da próxima sexta-feira, o suplemento Ípsilon. Mas, neste caso, os receios de "canibalização" do produto em papel são ainda evidentes, como se vê por esta declaração do coordenador geral do Público.pt à Meios & Publicidade: “O site Ipsilon não será um substituto ou alternativa ao caderno Ipsilon mas sim um complemento ao mesmo”».

20.11.08

Público.pt, versão iPhone


Registe-se a novidade: o Público.pt criou uma versão para o iPhone. Esta aposta na difusão multiplataforma de conteúdos tem o nome de I.Publico.pt e destina-se a «todos os leitores que utilizem iPhone e queiram estar informados a qualquer momento, de uma forma totalmente enquadrada na experiência de navegação proposta pelo terminal da Apple.» O I.Publico.pt está em fase de testes.




A ler:
Chegou o PUBLICO.PT para iPhone