3.1.06

Votos impressos para 2006

Em 2006, gostava que os jornais portugueses que leio (Público, DN e Expresso à cabeça) fizessem mais jornalismo de investigação (já ouço as gargalhadas do pessoal nas redacções...); contextualizassem melhor os assuntos; me chapassem muito menos com o telejornal da noite anterior nas páginas; mandassem a agenda das conferências de imprensa e dos bitaites dos políticos de serviço às malvas; mandassem alguns colunistas profundamente chatos, nuns casos, e altamente duvidosos, noutros casos, dar uma volta ao bilhar grande do 24 Horas; apostassem, a sério, na reportagem fotográfica e na infografia; abandonassem de vez as tentações fashion, people e de humor de pechisbeque, do tipo que o Expresso faz na sua Revista; abrissem as páginas a novas áreas temáticas.

Enfim, já sei, são votos de um simples leitor. Do outro lado, isso exigiria bons "patrões", bons directores, bons editores, bons repórteres... E, do lado de cá, bons leitores, claro.

Mas esse país assim ainda está por inventar.

2.1.06

Ciberjornalistas ao telefone

Qual é o instrumento de trabalho mais importante de um ciberjornalista português? O computador? Errado. É o telefone.

Como explicava, recente e realisticamente, o director do Portugal Diário, «o instrumento de trabalho mais importante é o telefone, pois não há capacidade financeira para fazer reportagens.»

30.12.05

Imprensa e Internet

«A Internet não é apenas mais um suporte: é o fim do jornalismo tal como foi vivido até hoje». Esta frase é retirada do livro La Prensa sin Gutenberg, escrito por Bruno Patiño, director do Le Monde Interactif, e Jean-François Fogel, ligado ao LeMonde.fr, ambos vindos do mundo da imprensa "tradicional".

Sobre a obra agora publicada, Francis Pisani faz hoje, no CiberP@is, um resumo dos pontos mais importantes. E, pelo que se lê, temos aqui mais um livro incontornável.

22.12.05

Autoridade sobre os media

Eis uma boa, e relevante, notícia: «O sector dos media vai estar debaixo de olho da Autoridade da Concorrência (AdC) durante o primeiro trimestre do próximo ano, afirmou ao DE Abel Mateus, presidente do organismo regulador da concorrência.» (Diário Económico)

O sector dos media é demasiadamente importante para a sociedade para que seja deixado aos seus livres arbítrios, quase sempre (e cada vez mais) marcados por um cunho economicista voraz de vistas curtas.

O país é pequeno e os principais órgãos de comunicação estão concentrados em muito poucas mãos. Isso pode ser bom para empresas e accionistas. É quase sempre mau para a democracia e o pluralismo de que ela se deve alimentar.

Esperemos, pois, que a Autoridade da Concorrência se comporte à altura. E que não ceda a pressões.


A ler:
Governo quer legislação anti-concentração dos media
Concentração dos Media e Pluralismo

15.12.05

Cinema e jornalismo à grande e à francesa

Para quem gosta muito de jornalismo e outro tanto de cinema, esta é uma publicação a colocar desde já no topo das prioridades de Natal: Print the Legend - Cinéma et Journalisme, editada pelos Cahiers du Cinéma.

Trata-se de uma obra colectiva, com diversos textos sobre muitos dos maiores filmes em que o jornalismo é o tema central. Estão lá os grandes clássicos, da envergadura de um Citizen Kane ou de um Blow Up, mas também filmes mais recentes, como O Informador, Shattered Glass - Verdade ou Mentira ou Live from Bagdad (ainda não disponível em Portugal).

Nas páginas finais, encontramos uma lista com mais de 300 obras, abrangendo os séculos XIX, XX e XXI! Imperdível.

12.12.05

A vida depois da televisão

A notícia da última página do Público de hoje, que dá conta da intenção da Intel de usar uma nova tecnologia que permite fundir a televisão com o computador, trouxe à memória as "velhas" profecias de George Gilder sobre o fim da televisão e sua substituição pelo "teleputador" (teleputer).

Lembro-me de um documentário televisivo em que Gilder, um veterano das novas tecnologias, aparecia a carregar o seu televisor num carro de mão para depositá-lo no lixo. «Cá em casa já não há espaço para a TV», explicava o autor do provocativo Life After Television, obra em que se lê frases como: «a televisão é uma ferramenta de tiranos».

Quem acompanha o andamento das novas tecnologias há muito que perdeu as dúvidas de que o casamento total entre a TV e o computador era (é) apenas uma questão de tempo. As próprias designações "televisão" e "computador" poderão ser palavras anacrónicas para as gerações que se seguem.

Esta é, sem dúvida, uma boa ocasião para ler, ou reler, Life After Television.


Memória
A televisão na idade da reforma

1.12.05

Is this healthy?

Numa notícia, da página de Media do DN de hoje, com pouco mais de meia dúzia de parágrafos, lê-se: holding, gadgets, target, core business, share, sitcoms.

A Impresa, a big portuguese media corporation, vai lançar a revista Stuff, dedicada aos gadgets. Well, nada de new. O DN acaba de lançar a Life. A kind of magazine for the rich and beatiful people, you see?

24.11.05

E a seguir?

«O presidente norte-americano, George W. Bush, planeou bombardear a Al-Jazeera, estação de televisão árabe no seu aliado Qatar, revelou um memorando altamente secreto, citado pelo Daily Mirror.» (DN)

O New York Times que se cuide...

22.11.05

Jornalistas online em Portugal

Cumprida a primeira década de história do jornalismo na Internet em Portugal, os jornalistas online portugueses são contituídos maioritariamente por profissionais entre os 26 e os 35 anos de idade, em início de carreira, sendo que as mulheres estão em maioria. Poucos receberam formação específica no ensino superior. Utilizam pouco a narrativa hipermédia.

Estas são algumas das conclusões que resultaram de um inquérito feito a 79 jornalistas (com 54 respondentes) por João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior. E o panorama geral não parece lá muito animador.

Canavilhas põe o dedo na ferida quando, ao procurar explicar, por exemplo, «a integração hipermédia quase inexistente, fraca utilização do hipertexto e aposta nas notícias de última hora, num modelo muito semelhante ao das agências de notícias», refere que «por detrás desta realidade parece estar a dificuldade em encontrar um modelo de negócio que viabilize as publicações online.» Ora, é precisamente aqui que o negócio empanca, impedindo a ascenção do ciberjornalismo português à "primeira divisão".

Esperemos, pois, por melhores dias.


A ler:
Os jornalistas online em Portugal

14.11.05

Cidadão. Jornalista?

Não se "faz" um jornalista como quem faz mousse de chocolate instantânea. Daí o equívoco maior da expressão "cidadão-jornalista".

12.11.05

Net e democracia

«Por enquanto, em vez de reforçar a democracia através do estímulo ao conhecimento e à participação dos cidadãos, o uso da Internet tende a aprofundar a crise da legitimidade política ao fornecer uma ampla plataforma para a política do escândalo.»

Manuel Castells

9.11.05

A 'TSF' do Prisa

O grupo espanhol de media Prisa, o tal bicho papão 'socialista' que muito bom patriota teme, tenciona arrancar com uma rádio informativa para concorrer com a TSF.

A ideia está, aparentemente, a ser bem recebida, até por responsáveis de rádios que irão sofrer a concorrência directa da nova estação, como se pode ler no DN.

A Prisa lidera o segmento da rádio em Espanha e, fora do país, não costuma brincar em serviço. Donde, é de esperar qualidade e profissionalismo no jornalismo da nova rádio, que terá porventura a virtude acrescida de levar a uma sacudidela de pó instalada nalgumas ondas hertzianas nacionais.

E, tanto quanto se ficou a saber, os noticiários não serão lidos em castelhano...

Internet e mercado

«Apesar de as novas tecnologias terem grande potencial para a comunicação democrática, há poucas razões para esperar que a Internet sirva fins democráticos uma vez entregue ao mercado.»

Edward Herman

7.11.05

Canais do Porto

Após o trauma NTV, o Porto parece disposto a sair do buraco negro audiovisual em que se encontra metido desde então. Dois projectos perfilam-se no horizonte: a Invicta TV, a emitir na TVTel, e o Porto Canal, na TV Cabo.

A cidade e a área metropolitana respectiva precisam, com toda a urgência, destes projectos, de modo a contrabalançar a perversa macrocefalia televisiva do país. A ausência de um canal de televisão regional é um claro sinal de subdesenvolvimento social e económico da região, que ainda recentemente perdeu um jornal centenário, O Comércio do Porto. Com o falhanço da NTV, o Porto passou a si próprio um atestado de incompetência e menoridade. Urge, portanto, recuperar.

Acresce que estes projectos podem potenciar actividades económicas paralelas ou complementares e, simultaneamente, dinamizar o mercado de emprego na área da comunicação e do jornalismo. Mas, para já, falta informação concreta quanto aos conteúdos, quer programativos, quer informativos. Isto é, falta os canais dizerem ao que vêm.


A ler:
TV Cabo adora o Porto
Invicta TV emite nos "próximos dias"

2.11.05

"Cacha" na Visão Online

É sempre gratificante ver uma "cacha" emergir de um medium na Web. Desta vez, a Visão Online toma a dianteira na actualidade noticiosa com a revelação de que um destacado dirigente socialista terá recebido a "visita" em casa de inspectores da Polícia Judiciária.

A notícia é apresentada online apenas com o essencial. A revista remete os desenvolvimentos para a edição em papel, a publicar amanhã.

Neste contexto, ouro sobre azul seria, no entanto, o exclusivo ter sido conseguido por um ciberjornalista da Visão Online.